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segunda-feira, 22 de junho de 2015

É PRECISO PLANTAR FLORESTAS PARA COLHER ÁGUA





A crise hídrica que afeta o país revela a importância de investir na recuperação das florestas. E pagar pelos serviços ambientais que elas prestam

RACHEL BIDERMAN, MIGUEL CALMON, FERNANDO VEIGA E RAUL SILVA TELLES DO VALLE
05/05/2015 - 19h13 - Atualizado 05/05/2015 19h13


A represa Jaguari-Jacareí em Piracaia, interior de São Paulo. São as florestas da região que fornecem água para as nascentes (Foto: Luis Moura / Parceiro / Agência O Globo)
Estados Unidos, 1934. Em meio à maior crise econômica de sua história o país é desafiado a resolver um problema inesperado, o Dust Bowl. Uma seca prolongada, a rápida substituição da vegetação nativa por culturas agrícolas e más práticas de manejo do solo produzem gigantescas tempestades de areia que cobrem casas e arruínam a produção agrícola de uma das regiões agrícolas mais prósperas do país, as Grandes Planícies, forçando o deslocamento de cerca de 2 milhões de pessoas para outras regiões.

Brasil, 2015. Em meio à turbulência econômica, uma seca prolongada, o aumento no consumo de água e energia e a extensa substituição da cobertura florestal nativa por outros usos do solo faz com que os reservatórios que abastecem a região mais próspera do país estejam à beira do colapso. Indústrias começam a rever planos de expansão e reduzem suas atividades por escassez de água, aprofundando a crise econômica.

Sete mil quilômetros e oitenta anos de história separam as duas situações, mas há muito que se aprender com a crise norte-americana. Buscando entender a raiz do desequilíbrio, o Governo Federal consultou especialistas e descobriu que o desmatamento excessivo, associado a más práticas agrícolas, estavam degradando os solos e a água em todo o país. Criou um Serviço de Proteção ao Solo e contratou mais de 3 milhões de jovens para recuperar parte da vegetação nativa e reformar campos agrícolas. Em nove anos, plantaram 3 bilhões de árvores e recuperaram mais de 240 mil hectares de vegetação nativa em áreas agrícolas com alta sensibilidade ecológica, como beiras de rios.

Hoje o governo americano investe cerca de US$ 6 bilhões por ano em programas de restauração ecológica e melhoria de práticas agrícolas. Em 2014 havia 11,2 milhões de hectares em restauração – área maior do que Santa Catarina – e cerca de 8 mil técnicos em conservação de recursos naturais apoiando gratuitamente produtores rurais a implementá-las.

Bons exemplos são sempre inspiradores. A atual crise hídrica brasileira pode ser a oportunidade de resgatarmos a importância da conservação e restauração da vegetação nativa no país para o benefício dos brasileiros que vivem nas grandes cidades. É longa a lista de benefícios que os ecossistemas nativos prestam às sociedades humanas. Florestas, como a Mata Atlântica, contribuem para termos água mais limpa e constante ao longo do ano, com evidentes benefícios econômicos e sociais. Mesmo assim, o território do Sistema Cantareira, por exemplo, tem menos de 30% de suas matas ciliares conservadas. Em toda a bacia hidrográfica do Paraná, onde se concentra grande parte da produção econômica brasileira, são apenas 17% de florestas preservadas.

Para virarmos este jogo, é fundamental pensar grande. Embora traga diversos benefícios à sociedade, o custo da restauração florestal pode ser pesado para muitos produtores rurais. Mesmo que haja determinação legal para tanto, não é razoável imaginar que venhamos a reabilitar nossas regiões mais necessitadas sem que exista o reconhecimento econômico e social da importância desta recuperação traduzido em apoio concreto aos produtores que vivem nestas regiões. Precisamos de toda a sociedade neste esforço, passando pelo engajamento proativo do setor privado e das empresas de abastecimento de água. Precisamos de políticas de incentivos econômicos que criem uma situação ganha-ganha, na qual a sociedade receba os serviços ambientais dos quais necessita ao mesmo tempo em que, no campo, se aumenta a criação de empregos verdes e uma nova cadeia de produção rural associada à oferta de serviços ambientais é estruturada.

A boa notícia é que já existem experiências em curso, como a implementada pelo município de Extrema (MG), importante fonte de abastecimento do Sistema Cantareira, onde  produtores rurais vêm recebendo um pacote de incentivos econômicos desde 2007 para reflorestar suas áreas de nascentes e matas ciliares. Lá se criou uma dinâmica positiva onde todos saem ganhando, do produtor rural aos habitantes da cidade de São Paulo. Essa prática  pioneira vem sendo replicada com o apoio da Agência Nacional de Águas, - ANA em outras cidades, como Rio de Janeiro e Brasília, e mesmo em âmbito estadual, como no Espírito Santo. Em São Paulo, o Projeto Nascentes promete restaurar 20.000 hectares de matas ciliares nos principais mananciais da Grande São Paulo. Mas precisamos agora ampliar a escala dessas iniciativas, com investimentos públicos e privados.

Mesmo em tempos de crise econômica é possível encontrar recursos para a restauração ecológica e garantia da provisão de serviços ambientais. Utilizar recursos da compensação ambiental de empreendimentos de infraestrutura ou da exploração do petróleo, por exemplo, são alternativas que alguns estados já vem explorando e precisam ser ampliadas. Aplicar pequena parte do arrecadado com o consumo de água e energia em “infraestrutura verde” é algo que alguns países já vêm fazendo e que começamos a ter os primeiros exemplos no país. Projetos de lei sobre pagamentos por serviços ambientais vem sendo discutidos desde 2007 no Congresso Nacional e o tema já tem maturidade suficiente para ser transformado em política pública nacional. Utilizar as políticas agrícolas, como crédito rural e compras públicas, para premiar produtores que restauram seus passivos é uma possibilidade que deve ser explorada.

Restaurar os ecossistemas nacionais não é uma excentricidade. Nos últimos cinquenta anos, a Coréia do Sul reflorestou 30% de seu território e a Costa Rica aumentou sua cobertura florestal em 17%. Dinamarca, Suécia, China e muitos outros países reagiram a situações de crise e restauraram florestas em larga escala, gerando benefícios econômicos, sociais e ambientais. Em todos os casos houve investimentos públicos e mobilização da sociedade, aí incluído o setor privado. O Brasil se transformou num dos maiores produtores agrícolas do mundo justamente dessa forma. Agora é a vez de investir na produção de serviços ambientais


* Rachel Biderman, advogada, é Diretora no Brasil do World Resources Institute (WRI); Miguel Calmon, engenheiro agrônomo, é Gerente Sênior da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN); Fernando Veiga, engenheiro agrônomo, é Gerente de Segurança Hídrica para América Latina da The Nature Conservancy (TNC) ; Raul Silva Telles do Valle, advogado, é ex-Coordenador de Política e Direito do Instituto Socioambiental (ISA) e atualmente Humphrey Fellow na American University

Recebido por e-mail de Croquis Moldura

segunda-feira, 8 de junho de 2015

AMIGOS DA NATUREZA...



Homem cego e amigo biamputado plantam mais 10 mil árvores
Redação on 18 de março de 2015 às 16:40

Os amigos Jia Haixia e Jia Wenqi, ambos de 53 anos, transformaram a paisagem de um pequeno vilarejo no nordeste da China. Os dois juntos plantaram mais de 10 mil árvores ao logo dos últimos dez anos.
A história por si só já é inspiradora, mas junte a isso o fato de Haixia ser cego e Wenqi biamputado.










Depois de algum tempo de convivência, os amigos aprenderam a trabalhar juntos para superar as deficiências individuais.
Em algumas ocasiões, Wenqi leva Haixia nas costas até o outro lado do rio, enquanto Haixia é quem sobe até o topo das árvores para colher novas mudas.



Recebido por e-mail de Croquis Moldura

sexta-feira, 15 de maio de 2015

REFLEXÃO PARA O DIA DA FAMÍLIA

A Família Sagrada




Suponho que ninguém mais duvide de que aquela família representada no comercial de margarina, perfeita e harmônica, não se encontra na Bíblia. Muito ao contrário: os exemplos de composição familiar que encontramos nas páginas das Sagradas Escrituras não são nada idealizados.
Nem mesmo a chamada “Sagrada Família” (de nosso Senhor Jesus Cristo) se salva. Começa que Maria engravidou antes de se casar. Não muito depois de Jesus completar 12 anos, pelo que se sabe, José morre. Desde então, a família sagrada passou a se constituir de uma viúva e seus órfãos.
Jesus também não se parece lá muito com o filho queridinho, do tipo que toda mãe gostaria ter. Alguns episódios até nos fazem pensar que Jesus bem mereceria umas boas palmadas. Certa ocasião, numa festa de casamento, sua mãe lhe pede para ajudar numa situação constrangedora, porque se acabara um dos principais elementos do cardápio da festa. Jesus lhe dá uma resposta atravessada: “Mulher, que tenho eu contigo?” (cf. Jo 2).

Doutra feita, vieram avisar Jesus de que sua mãe, seus irmãos e irmãs estavam à porta, e queriam falar-lhe. Ele teria respondido que aqueles não eram seus verdadeiros familiares: “Quem são minha mãe, irmão e irmã, senão aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a praticam” (cf. Mt 12.48-49, Mc 3.33-34 e Lc 8.20-21). Ainda insinua que aqueles à porta não ouvem nem praticam a Palavra de Deus. Esse jeito de falar não é exatamente o que chamaríamos de gentil.
A Bíblia não esconde esses conflitos e tensões familiares, talvez para nos confortar e tranquilizar em relação ao fato de que tampouco nossas famílias são perfeitas.

No entanto, há muito a aprendermos com a “Família Sagrada”. Por essa razão, gostaria de tomar como referência para nossa reflexão o relato de Lucas 2.40-52:

Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. Ora, anualmente iam seus pais a Jerusalém, para a Festa da Páscoa. Quando ele atingiu os doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Terminados os dias da festa, ao regressarem, permaneceu o menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o soubessem. Pensando, porém, estar ele entre os companheiros de viagem, foram caminho de um dia e, então, passaram a procurá-lo entre os parentes e os conhecidos; e, não o tendo encontrado, voltaram a Jerusalém à sua procura. Três dias depois, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas. Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? Não compreenderam, porém, as palavras que lhes dissera. E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração. E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.

Este episódio tem uma moldura literária: “Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (v. 40) e “crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (v. 52).  O que nos permite inferir que esta é a missão da família: Possibilitar o crescimento dos seus integrantes em sabedoria, estatura e graça!
O texto bíblico em questão nos oferece ainda ótimas instruções a respeito de como a família chega a cumprir essa missão.

A importância das solenidades cíclicas
Nos versos 41 e 42 lemos: “Anualmente iam a Jerusalém, para a Festa da Páscoa. Quando ele atingiu os doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa” (vs. 41-42).
Destaquei as palavras “anualmente”, “festa” e “costume”, para evidenciar a importância das solenidades cíclicas na formação das novas gerações. Comemorar reiteradamente certas datas e ocasiões, longe de serem consideradas tolas repetições, ou algum tipo de paganismo, são, sim, fundamentais para a construção da nossa identidade como indivíduo e como povo. Acontecimentos como esses nos conferem o que chamamos “cultura”.

Encarar essas solenidades como “festa” é outro dado significativo. Aprender uma cultura não deve ser penoso ou desagradável, mas ocasião de deleite e prazer.  “Costume” é outro elemento fundamental: não há aprendizado sem rotina, repetição, inculcação. É importante observar que “costume” nunca é mera repetição. Toda vez que tornamos a celebrar (a Páscoa, o Natal, o Pentecostes…) nunca repetimos, simplesmente, antes ressignificamos, presentificamos, atualizamos o sentido dessas solenidades. A criança que celebra a Páscoa aos 12 anos de idade terá uma compreensão diferente da que teve quando celebrou a mesma festa aos 5, ou aos 8 anos, ou da que terá aos 50 ou 60.

(Note-se, também, a significativa contribuição das viagens e deslocamentos na formação de identidade. É conhecendo pessoas, topografias, hábitos diferentes dos nossos que teremos melhores condições de dimensionar e significar o que nos é próprio. Não há identidade sem alteridade!)

A importância da autonomia
O episódio dramático da “perda” do menino pelos pais não nos ensina somente que precisamos ficar atentos aos nossos filhos para não perdê-los de vista em meio à multidão…
Dá-nos, mais que isso, uma grande lição sobre autonomia, e revela de uma maneira surpreendente o quanto nós, pais, tendemos a subestimar nossas crianças. Os pais pensavam encontrar-se o menino entre os conhecidos. Nessas ocasiões, sempre se viajava em grupo, junto com parentes e vizinhos. Seria normal esperar que estivesse entre seus amiguinhos, primos, irmãos… brincando… Quem haveria de supor que ele estaria interessado em algo mais do que brincadeiras?
Não há crescimento saudável sem a experiência da autonomia. Crescer é um processo contínuo rumo à independência. Para alguns pais isso traz angústia e sofrimento. Mas aqueles que superprotegem seus filhos, que os sufocam com vigilância excessiva, os impedem de crescer saudavelmente e causam-lhe danos irreparáveis.

 A importância do diálogo com os especialistas
As crianças gostam, sim de brincar, mas há algo que lhes é irresistível: o desejo de aprender. Três dias depois, Maria e José finalmente encontraram Jesus “no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que o ouviam muito se admiravam da sua inteligência e das suas respostas” (vs. 46-470).

Jesus interagia com os doutores: “ouvia”, “interrogava” e “respondia”. Eu já havia escrito em outro texto que é uma pena que já não se façam muitos doutores como esses do tempo de Jesus. Na maioria das vezes os especialistas não têm paciência pra conversar com as crianças. No máximo estariam dispostos a discursar para elas, porque acham que não têm o que aprender com elas. Aqueles doutores ficaram admiradíssimos com a inteligência e as respostas de Jesus como qualquer um de nós ficaria, se nos dedicássemos a ouvir com atenção as nossas crianças.

Já dizia o jagunço Riobaldo, personagem de Guimarães Rosa, no Grande Sertão: Veredas: “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem, de repente, aprende.”
Porque é assim que se aprende: no encontro de experiências entre pessoas diferentes. Ambas as gerações, a dos jovens e a dos antigos, têm perguntas importantes a fazer umas às outras, e podem oferecer respostas igualmente relevantes. Mas isso só será possível se ambos se dispuserem ao diálogo: os mais velhos e os mais jovens, juntos, conversando… que acontecimento admirável!

A importância do enfrentamento honesto dos conflitos entre as gerações
Quando os pais e o menino perdido se acham, rola um clima tenso: “Logo que seus pais o viram, ficaram maravilhados; e sua mãe lhe disse: Filho, por que fizeste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, estamos à tua procura. Ele lhes respondeu: Por que me procuráveis? Não sabíeis que me cumpria estar na casa de meu Pai? Não compreenderam, porém, as palavras que lhes dissera. E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso” (vs. 48-51).

Há um misto de emoções, sentimentos e reações: admiração, aflição, angústia e, certamente, alívio pelo reencontro, da parte dos pais; certa indiferença, inconformismo e petulância, da parte do filho.
Os pais “não compreenderam as palavras que Jesus lhes dissera” (v. 50). Essa não é a exceção, mas a regra no convívio entre as diferentes gerações: desentendimento, confronto, contenda, contrariedade, controvérsia, desacordo, desajuste, desamor, desarmonia, desavença, desconcerto, diferença, dificuldade, discordância, discórdia, discrepância, discussão, disputa, dissensão, dissentimento, dissidência, dissintonia, divergência, hostilidade, inadequação, incompatibilidade, inconformidade, inimizade, litígio, luta, mal-entendido, malquerença, oposição… e assim por diante.

Se assim foi entre Jesus e seus pais, por que não seria também conosco? Ajuda, no entanto, saber que é assim, e que temos que lidar com isso da melhor forma. No episódio com Jesus, ambos, os pais e o menino, puderam expressar-se francamente sobre seus sentimentos. Os pais falam da sua angústia, e o filho explica a sua perspectiva das coisas.

É importante notar, no entanto, que, na sequência, o menino se submete à autoridade dos pais e volta para Nazaré com eles. Os conflitos e os desentendimentos são inevitáveis, mas o convívio familiar tem a primazia. Há ocasiões em que aos filhos se dá liberdade e autonomia, mas há outras em que não resta alternativa a não ser a da “submissão”. Não há como deixar a critério da criança se ela quer ou não tomar vacinas, usar o cinto de segurança, ou coisas do gênero. Algumas dessas decisões são inegociáveis, e sábios e felizes aqueles que conseguem distinguir essas das transigíveis.

Concluindo…
A mãe de Jesus, “porém, guardava todas estas coisas no coração” (v. 51).  Que bonito costume têm os antigos de guardar no coração as memórias significativas de seus encontros e desencontros com as novas gerações. Quanto aprendizado, quanto crescimento, quanto amadurecimento para ambos!
Quando as novas gerações têm o privilégio de conviver com pais, como José e Maria foram para Jesus, e com Doutores, como aqueles que lhe dispensaram tempo e atenção qualitativos, o resultado é maravilhoso:

“E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (v. 52).

Reformulemos a ordem dos fatores para fins didáticos. Primeiro, crescimento em estatura é o resultado do cuidado com o corpo, com a saúde, com a alimentação, a higiene… quesitos básico para viabilizar todos os demais tipos de crescimento. Podemos falar, então, do crescimento em sabedoria, que é o resultado do cuidado intelectual e espiritual, que faz com que as informações se transformem em conhecimento, e o conhecimento em atitudes dignas e honradas. Finalmente, chegamos ao crescimento em graça, que é o mais sublime de todos, porque é a expressão de que quando crescemos, não crescemos somente para nós mesmos, mas crescemos para “Deus” e para os “homens”.

Em outras palavras, é para isso que crescemos, para estarmos digna e honradamente diante de Deus e do nosso semelhante, preparados para amá-los e sermos amados por ambos.


Luiz Carlos Ramos
(Para a Revista Gaivota Metodista, em maio de 2012)


quarta-feira, 8 de abril de 2015

PROTEÇÃO ANIMAL NAS ESCOLAS


EDUCAÇÃO

Proteção Animal é estimulada desde a infância nas escolas

07 de abril de 2015 às 6:00

Por Fátima Chuecco (da Redação)

A ANDA abre espaço para uma série de reportagens que abordará a proteção animal na infância, pois, é nessa fase que boa parte de nossa personalidade se forma. Muitas das experiências que temos quando crianças nos marcam para o resto da vida. Aliás, é lá na infância que muitos ativistas começaram a abraçar a causa animal mesmo sem se dar conta disso. Por isso, alimentar as crianças com atividades, livros, filmes e tudo o que possa motivar o amor e respeito aos animais é essencial para um futuro em que a natureza seja protegida e os bichos fiquem livres da escravidão.
Educadores com visão futurística percebem o quanto é importante falar de meio ambiente englobando tudo que está em torno da criança e não só de rios, praias e florestas, como se a natureza só existisse distante dela ou só onde ela passa as férias. 

A Educação Ambiental moderna entende que a criança precisa ser motivada a respeitar a borboleta que pousa em seu quintal, as árvores das calçadas, os passarinhos que moram na cidade e os cães e gatos que vê na rua. Tudo faz parte da natureza: nós, as águas, as florestas, os demais animais… tudo. Ensinar a preservar apenas rios e florestas é ensinar pela metade porque grande parte das criaturas nasce e cresce nas grandes cidades.

Essa série vai mostrar iniciativas que trabalham proteção animal com crianças em escolas, comunidades ou eventos. Haverá dicas de livros e filmes que podem sensibilizar as crianças nesse sentido. Aliás, quantos de nós não tiveram esse “despertar para a causa animal” a partir de algum filme ou livro onde um bichinho era o protagonista?

Como vemos pelas notícias, há um crescente número de pessoas se envolvendo com a causa animal ou, pelo menos, prestando ajuda a animais eventualmente. Chovem denúncias e resgates. São pessoas de várias idades e profissões, além de policiais e bombeiros que têm socorrido animais em situações extremas como nunca víamos acontecer anos atrás. São manifestações pelos direitos animais em toda parte do planeta. No entanto, vai depender das gerações futuras a criação de leis, de posturas e de uma nova visão. Que essa nova série da ANDA inspire a todos (educadores, pais, avós, tios, protetores e simpatizantes da causa) a envolver as crianças numa atmosfera de comunhão com a natureza e respeito aos animais, afinal, uma coisa não é possível sem a outra!

Capítulo Dois

Proteção Animal na escola
Diante de uma plateia mirim, a professora de Educação Física e integrante do grupo Adoção de Gatinhos da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), Daniella Muruce, fala sobre comércio de animais, adoção, guarda responsável, castração, maus-tratos, abandono e resgate. Ela usa uma linguagem própria para a criançada e mostra imagens também de acordo com a faixa etária nas escolas de Vitória (ES) por onde passa. Não cobra nada. É um trabalho voluntário de Educação Infantil voltado para a proteção animal.

A palestra dura em torno de 50 minutos e às vezes as crianças produzem desenhos a partir do que ouvem. O resultado costuma ser bem produtivo. Num rápido entendimento das questões, muitas das crianças expressam no papel a importância de não maltratar e nem abandonar os bichos. “Com o Projeto Proteção Animal na Escola procuro plantar uma sementinha no coração das crianças para despertar nelas o amor ou, pelo menos, o respeito pelos animais”, diz Daniella que também ministra a palestra para adolescentes e até em faculdades.

Daniella começou na proteção animal na infância. Toda vez que achava um bichinho na rua levava para casa. “Não segui nenhum exemplo. Fazia isso espontaneamente. Está no meu sangue. Hoje percebo a importância de conversar com as crianças e jovens sobre esse assunto, mas dependo de convite das escolas. É uma iniciativa sem fins lucrativos, mas que depende do interesse de outros educadores ou donos de escolas”, explica.

Entre em contato com Daniella através de sua página do Facebook ou do e-mail: dmuruce@hotmail.com

O mau exemplo:
Em março de 2014 a professora de Biologia Sônia Wenceslau Flores Rodrigues, do Ifes – Instituto Federal do Espírito Santo em Piúma, estrangulou quatro gatinhos recém-nascidos alegando que não teriam chance de sobreviver sem a mãe, morta no parto. Ela declarou que foi um “ato de piedade”. Alunos, pais e protetores ficaram chocados com tamanha frieza e se manifestaram. Na rede social os estudantes espalharam a foto de uma gatinha com um cartaz que dizia “Eu não mereço ser estrangulada”. O Ifes declarou que não havia provas de que a professora teria cometido o ato dentro da escola e nem na frente dos alunos. Em setembro de 2014, Sônia foi promovida a diretora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da estrutura administrativa do campus do Ifes em Piúma. Difícil de acreditar, mas a nomeação foi publicada no Diário Oficial e pode ser vista na Internet.

Livros em prol da causa animal
Muitos livros podem encantar as crianças e ao mesmo tempo educar no sentido de respeitarem todo tipo de vida. E alguns dos autores escrevem com base em experiências que tiveram na infância. É o caso de Colin Thompson, autor e ilustrador de mais de 40 obras, ganhador de vários prêmios na Literatura Infantil. Embora gostasse muito de bichos, foi impedido de adotá-los quando menino por imposição dos avós que o criaram. Essa paixão continuou latejando dentro dele e na fase adulta o escritor mergulhou de cabeça em histórias que projetassem amor aos animais.

Em “O pequeno grande livro da tristeza feliz” (Editora Brinque-Book), por exemplo, um garotinho adota um cão deficiente físico (com apenas três patinhas) que está no abrigo municipal e prestes a ser sacrificado. Na obra “O amor está onde menos se espera” um cachorrinho é adotado, mas não recebe nenhuma atenção da família, então se esforça ao máximo para mostrar todo o amor que tem para dar. Thompson diz que escreve sobre bichos porque não suporta a crueldade contra eles.
“Muitos animais fazem coisas mais bonitas e inteligentes que os humanos. Pessoas que fazem mal aos bichos são inferiores a eles. O homem é a única criatura que está arruinando o planeta. Os livros podem ensinar muito as crianças. Esse é meu trabalho”, desabafa. Os livros de Thompson são vendidos em livrarias do Brasil. Ele vive na Austrália com os cachorros Max e Daisy (resgatada de um lixão).

Bezerro escritor
Falar do sofrimento dos animais para abate para crianças pode ser difícil, mas o livro de Igor Colares pode ajudar. Em sua obra “Bezerro Escritor” ele narra a história de um bezerrinho que sofre ao ver a situação de sua mãe, uma vaca leiteira. Por meio de poemas, o bezerrinho tenta convencer os humanos que a extração de leite é cruel, que sua mãe fica doente, sente dor e que não há necessidade nenhuma de humanos adultos tomarem leite, muito menos leite de vaca. O livro está à venda somente pelo site.

O mau exemplo:
Há muitos livros que mostram “animais da fazenda”, especialmente para crianças bem novinhas. É como dizer “esses aqui são para comer”. Do ponto de vista “educacional”, mesmo sem tocar na questão da proteção animal, esses livros estão dando uma informação completamente errada, pois, não existem “animais de fazendas” e sim obrigados a nascerem e viverem nelas para servirem de consumo. Esses livros levam as crianças a tratarem a escravidão animal com naturalidade. Elas aprendem, desde cedo, que cachorro e gato podem fazer parte da família, mas outros bichos devem ir para a panela.

O gato do artista de rua
No livro “Malhado Miau”, de Julia Donaldson e Axel Scheffler (Editora Fundamento), Malhado é o gato de um artista de rua que com seu violão arrecada todo dia uns trocados. Mas ele sofre um acidente, fica hospitalizado e Malhado se perde na cidade. A partir disso o livro mostra como um gato pode ser um amigo leal, incapaz de esquecer e de se separar de seu tutor. As ilustrações são bem meigas e de cor vibrante, o que deixa a leitura ainda mais atraente aos olhos das crianças. À venda nas livrarias do Brasil.

Veja também o primeiro episódio dessa série neste link.

Publicado no site da ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
O maior portal de notícias sobre animais do mundo

Foto: Vera