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domingo, 2 de fevereiro de 2014

O VALOR ECONÔMICO E SOCIAL DAS FLORESTAS URBANAS

O QUE TODO GOVERNANTE, PREFEITO E OUTROS GESTORES URBANOS DEVERIAM SABER E COLOCAR EM PRÁTICA EM SUA GESTÃO! CUIDAR DAS ÁREAS VERDES É FUNDAMENTAL PARA A QUALIDADE DE VIDA NAS ÁREAS URBANAS E GERAM, INCLUSIVE, BENEFÍCIOS ECONÔMICOS.


Kathleen L. Wolf



As políticas, regulamentos e mesmo as atividades dos setores responsáveis
dos governos locais com relação às árvores e espaços verdes urbanos
resumem-se a incluí-las no planejamento urbano como um ornamento meramente
decorativo. Existem exceções notáveis, mas no geral poucos governos locais desenvolveram métodos e marcos abrangendo toda a cidade e todos os aspectos, para nortear o planejamento e o gerenciamento dos espaços verdes a fim de alcançar funções e finalidades específicas....
.. O planejamento da infraestrutura verde inclui a identificação dos elementos e suas funções; as necessidades e os serviços desejados; o mapeamento e o monitoramento adequados; o levantamento dos custos e benefícios; e o planejamento estratégico dos aprimoramentos do capital natural, em fases se necessário...
.. Uma cidade jamais construiria uma estrada ou um sistema hidráulico ou elétrico peça por peça, sem um planejamento prévio, um projeto técnico e uma coordenação. O conceito de “infraestrutura verde” indica que a natureza nas cidades deve ser administrada de maneira integrada, do mesmo modo como os sistema de saneamento, de transporte, de energia, por exemplo, o são - ou deveriam ser....
.. Muito freqüentemente, os espaços verdes das cidades, como os parques, os bosques e as áreas de agricultura urbana, são gerenciados de modo fragmentado e aleatório, um a um, sem maior integração. As florestas urbanas (e todo o capital natural de uma cidade) podem ser consideradas como parte da infraestrutura urbana....


Serviços de desenvolvimento econômico
.. Numerosos estudos (na América do Norte) concluíram que uma floresta ou um parque de qualidade nas proximidades tem um efeito positivo nas propriedades da região (Crompton, 2001). O valor das casas próximas a parques e áreas abertas costuma ser entre 8 e 20% acima do que os das propriedades comparáveis localizadas mais distantes. Esses ganhos são capitalizados pela prefeitura quando são calculados os impostos territoriais urbanos, ou quando são pagas as taxas referentes à venda e transmissão dessas propriedades. Um estudo verificou que o valor dos aluguéis de salas comerciais era 7% maior, em média, nas vizinhanças que apresentavam uma paisagem mais agradável, onde a presença de árvores é decisiva....


Serviços ambientais
Baseado em modelos simulando a redução da poluição do ar e da incidência de enchentes, na modelagem da redução da poluição do ar e dos impactos energéticos, os valores, por ano, dos serviços das florestas urbanas foram estimados. Por exemplo, a Análise do Ecossistema Urbano de Washington DC concluiu que a cobertura com árvores reduziu os custos com estruturas para represamento da água das enxurradas em US$ 4,7 bilhões, e gera economias com a qualidade do ar de US$ 49,8 milhões por ano. Estudos de micro-escala focando nos custos/benefícios das árvores plantadas nas ruas incluem, na coluna de custos, as despesas com plantio, irrigação, poda e outros serviços, e na coluna de benefícios somam-se a economia com energia, a redução do dióxido de carbono, a melhoria da qualidade do ar e a redução das enchentes. Esses dados econômicos foram matematicamente combinados para gerar o cálculo do benefício líquido trazido por cada árvore. Por exemplo, uma análise realizada em 2002 para a cidade de Seattle (E.U.A.) avaliou o benefício médio anual por árvore entre $1 e $8 para uma árvore pequena, entre $19 e $25 para uma árvore de porte médio, e entre $48 e $53 para as árvores maiores (CUFR 2002).


Análise de ecossistemas urbanos
A modelagem dos benefícios ambientais é freqüentemente baseada nos custos evitados; isto é, se as árvores não estivessem presentes, os proprietários privados e o governo teriam que investir em mais infra-estruturas de engenharia e equipamentos para remediar os problemas ambientais que adviriam. Por exemplo, a copa de uma árvore intercepta a água da chuva, reduzindo assim a quantidade de água que chega ao solo e flui para os
sistemas de águas pluviais da cidade, reduzindo assim, portanto, os custos com construção de galerias, instalação de canos e estruturas de acumulação controlada (“piscinões”) maiores....


Serviços humanos
A presença de árvores e de espaços naturais nas comunidades humanas gera numerosos benefícios psicológicos. Kuo e outros (2003) verificaram que a presença de árvores em bairros muito densamente povoados reduz os níveis de ansiedade, contribui para um comportamento menos violento e agressivo, encoraja melhor relacionamento entre vizinhos e estimula sua cooperação....


Estratégias para a infraestrutura verde
Priorizar a situação de árvores e de espaços verdes na agenda dos líderes municipais e nos orçamentos públicos depende de esclarecer que o capital natural, se devidamente gerenciado, fornece retornos econômicos palpáveis para toda a comunidade. Esta visão contrasta com a atitude predominante em muitas prefeituras de que a manutenção das árvores e das áreas verdes só dá despesa e é pouco prioritária quando comparada com outras necessidades municipais que, presume-se, estão mais relacionadas com a saúde humana, a segurança e o bem estar. O reposicionamento do status político das florestas urbanas precisa ser seguido por ações apoiativas e por recursos suficientes para a sua implementação. A otimização dos benefícios e valores requer uma abordagem abrangente e sistemática das estruturas verdes urbanas, capaz de criar, conservar e desenvolver florestas em todas as regiões da cidade e de sua periferia.
Na melhor das situações, a silvicultura urbana envolve uma abordagem do gerenciamento das estruturas verdes urbanas que inclui o planejamento a longo prazo, a coordenação profissional interdisciplinar e a participação da comunidade local. Em última análise, o objetivo é assegurar a saúde e a vitalidade dos recursos florestais urbanos e, portanto, a sustentabilidade dos benefícios para as gerações atuais e futuras de moradores urbanos.

Recebido por e-mail do Movimento Resgate Cambuí

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

CARTA DA TERRA


                                                  
                                                                                                        
O texto da Carta da Terra
PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa 
época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. 
À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e 
frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande 
esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio 
de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, 
somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um 
destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade 
sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos 
humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. 
Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da 
Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, 
com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. 
A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida 
incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma 
aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições 
essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação 
da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem 
da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas 
ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis,
águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos 
finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção 
da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando 
devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma missiva 
extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. 
Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos 
eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está 
aumentando. 
A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm 
aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento 
sem precedentes da população humana tem sobrecarregado 
os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global 
estão ameaçadas. 
Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra 
e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade 
da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos 
valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, 
quando as necessidades básicas forem supridas, o 
desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais 
e não a ter mais. 
Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer 
a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. 
O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas 
oportunidades para construir um mundo democrático e humano. 
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e 
espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções 
inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um 
sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a 
comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas 
comunidades locais. 
Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de 
um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. 
Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo 
futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos 
seres vivos. 
O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda 
a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério 
da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade 
em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de 
valores básicos para proporcionar um fundamento ético à 
comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, 
afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a 
um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos 
quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, 
governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.


a) Reconhecer que todos os seres são interdependentes
e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua 
utilidade para os seres humanos.

b) Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos
e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da 
humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, 
compaixão e amor.

a) Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os 
recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio 
ambiente e de proteger os direitos das pessoas.

b) Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos 
e do poder,vem a maior responsabilidade de promover o bem 
comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, 
participativas, sustentáveis e pacíficas.

a) Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam 
os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem 
a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.

b) Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a 
obtenção de uma condição de vida significaria e segura, que seja 
ecologicamente responsável

4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as 
atuais e às futuras gerações.

a) Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é 
condicionada pelas necessidades das gerações futuras.

b) Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições 
que apóiem a prosperidade das comunidades humanas e 
ecológicas da Terra a longo prazo.

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas 
ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade 
biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.

a) Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de 
desenvolvimento sustentável que façam com que a 
conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de
todas as iniciativas de desenvolvimento.

b) Estabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis,
incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os 
sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e 
preservar nossa herança natural.

c) Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.

d) Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados
geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio 
ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais.

e) Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, 
produtos florestais e vida marinha de forma que excedam às taxas 
de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.

f) Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis,
como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o
esgotamento e não causem dano ambiental grave.


6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método 
de proteção ambiental e, quando o conhecimento for 
limitado, assumir uma postura de precaução.

a) Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios
ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico
for incompleto ou não-conclusivo.

b) Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a
atividade proposta nao causará dano significativo e fazer com
que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo
dano ambiental.

c) Assegurar que as tomadas de decisão considerem as
consequências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de 
longo alcance e globais das atividades humanas.

d) Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente 
e não permitir o aumento de substâncias radioativas,
tóxicas ou outras substâncias perigosas.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução 
que protejam as capacidades regenerativas da Terra, 
os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

a) Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas
de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser 
assimilados pelos sistemas ecológicos.

b) Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e 
contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, 
como a energia solar e do vento.

c) Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência 
eqüitativa de tecnologias ambientais seguras.

d) Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens 
e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a 
identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas 
sociais e ambientais.

e) Garantir acesso universal à assistência de saúde que 
fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.

f) Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida 
e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e 
promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do 
conhecimento adquirido.

a) Apoiar a cooperação científica e técnica internacional 
relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às 
necessidades das nações em desenvolvimento.

b) Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e 
a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem 
para a proteção ambiental e o bem-estar humano.

c) Garantir que informações de vital importância para a saúde 
humana e para a proteção ambiental, incluindo informação 
genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social 
e ambiental.

a) Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança 
alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e 
saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e 
internacionais demandados.

b) Prover cada ser humano de educação e recursos para 
assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar 
seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes 
de se manter por conta própria.

c) Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir 
àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas 
capacidades e alcançarem suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas 
em todos os níveis promovam o desenvolvimento 
humano de forma eqüitativa e sustentável.

a) Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e 
entre as nações.

b) Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos 
e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de 
dívidas internacionais onerosas.

c) Assegurar que todas as transações comerciais apóiem o 
uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas 
trabalhistas progressistas.

d) Exigir que corporações multinacionais e organizações 
financeiras internacionais atuem com transparência em 
benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas 
conseqüências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como 
pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e 
assegurar o acesso universal à educação, assistência 
de saúde e às oportunidades econômicas.

a) Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas
 e acabar com toda violência contra elas.

b) Promover a participação ativa das mulheres em todos os 
aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural 
como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão,
 líderes e beneficiárias.

c) Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho 
de todos os membros da família.


12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas 
as pessoas a um ambiente natural e social capaz de 
assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o 
bem-estar espiritual, com especial atenção aos 
direitos dos povos indígenas e minorias.

a) Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como 
as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, 
idioma e origem nacional, étnica ou social.

b) Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, 
conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas 
relacionadas com condições de vida sustentáveis.

c) Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, 
habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de 
sociedades sustentáveis.

d) Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado 
cultural e espiritual.

IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos 
os níveis e prover transparência e responsabilização 
no exercício do governo, participação inclusiva na tomada 
de decisões e acesso à justiça.

a) Defender o direito de todas as pessoas receberem informação 
clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de
desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais 
tenham interesse.

b) Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover 
a participação significativa de todos os indivíduos e organizações 
interessados na tomada de decisões.

c) Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de 
reunião pacífica, de associação e de oposição.

d) Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais 
administrativos e independentes, incluindo retificação e 
compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.

e)  Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e 
privadas.

f) Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos 
seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais 
aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais 
efetivamente.


14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao 
longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades 
necessárias para um modo de vida sustentável.

a) Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, 
oportunidades educativas que lhes permitam contribuir 
ativamente para o desenvolvimento sustentável.

b) Promover a contribuição das artes e humanidades, 
assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.

c) Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa 
no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos 
e sociais.

d) Reconhecer a importância da educação moral e espiritual 
para uma condição de vida sustentável.


15. Tratar todos os seres vivos com respeito e 
consideração.

a) Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades 
humanas e protegê-los de sofrimento.

b) Proteger animais selvagens de métodos de caça, 
armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, 
prolongado ou evitável.

c) Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou 
destruição de espécies não visadas.


16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência 
e paz.

a) Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade 
e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as 
nações.

b) Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos 
violentos e usar a colaboração na resolução de problemas 
para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.

c) Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível 
de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos 
militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.

d) Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas 
de destruição em massa.

e) Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a 
proteção ambiental e a paz.

f) Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas 
consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, 
com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.


O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a 
buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes 
princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos 
que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos 
da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. 
Requer um novo sentido de interdependência global e de 
responsabilidade universal. 
Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de 
um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, 
regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança 
preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e 
distintas formas de realizar esta visão. 
Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou 
a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da 
busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. 
Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos 
encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, 
o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto 
prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, 
organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. 
As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, 
os meios de comunicação, as empresas, as organizações 
não-governamentais e os governos são todos chamados a 
oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, 
sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade 
efetiva. Para construir uma comunidade global sustentável, 
as nações do mundo devem renovar seu compromisso com 
as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando 
os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação 
dos princípios da Carta da Terra com um instrumento 
internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e 
o desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma 
nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de 
alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços 
pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida. 
 site http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

VOZES DO SILÊNCIO - CULTURA CIENTÍFICA: IDEOLOGIA E ALIENAÇÃO NO DISCURSO SOBRE VIVISSECAÇÃO

Olhar Animal 
14:07 (36 minutos atrás)
para E-grupo, Olhar
Olá, internautas

Em 2008, quando eu ainda atuava no Instituto Nina Rosa (INR), pude 
participar da produção desta importante obra sobreexperimentação 
animal, que trata do comportamento de estudantes e professores que 
praticam vivissecção.

Neste momento, em que o tema se torna pauta nacional, é fundamental 
fazer circular toda informação disponível contra a prática moralmente 
indefensável da vivissecção, cristalizada pela falta de reflexão ética e 
pela acomodação de interesses. Atento a isto, o Instituto Nina Rosa 
tornou pública a ÍNTEGRA da obra, formato em PDF, que segue em 
ANEXO.

Nossas saudações ao autor, João Epifânio Regis Lima, pela obra e 
pela liberação para a livre divulgação. E à Nina Rosa, por produzir e 
desprendidamente divulgar este material, ela que sequer indicou em 
sua mensagem que, quem preferir ter um exemplar do LIVRO 
(e não apenas o PDF), pode adquiri-lo no site do Guia Vegano 
para a continuidade do trabalho do INR. Faço eu o registro.

Maurício Varallo
Olhar Animal



Amigo dos animais,

neste momento em que felizmente a sociedade manifesta interesse 
em abrir suas mentes e corações para a cruel realidade dos animais 
explorados pela ciência, liberamos o conteúdo deste livro, com a 
total concordância do autor.
Desejamos a todos que as informações nele contidas possam ser 
assimiladas e multiplicadas para todos os consumidores brasileiros.

Nina Rosa


Versão em PDF - Anexo

Este livro traz o texto integral, revisto e atualizado, da 
dissertação de Mestrado intitulada Vozes do Silêncio - 
Cultura científica: ideologia e alienação no discurso 
sobre vivissecção, defendida por João Epifânio Regis 
Lima no Instituto de Psicologia da Universidade de São 
Paulo em 1995. O texto verifica as suposições e questões 
levantadas durante o percurso acadêmico do autor em 
seu curso de graduação em Ciências Biológicas na USP, 
referindo-se ao comportamento acrítico, natural e 
espontâneo dos estudantes e professores desse curso, 
envolvidos em suas pesquisas, diante da prática da 
vivissecção (experimentação com animais), que atingia, 
em várias ocasiões, dimensão de crueldade e violência.

Em depoimentos colhidos de universitários, professores, 
pesquisadores e outros profissionais envolvidos com a 
vivissecção, o autor identifica elementos ideológicos de 
caráter cientificista, tecnicista, mecanicista e especista, 
que são analisados à luz de Habermas, Adorno e 
Horkheimer. A esse macrocontexto geral fornecido pelos 
teóricos de Frankfurt é acrescida, como microcontexto, a 
álgebra social de Heider e Festinger para entender a 
dinâmica psicológica em jogo na situação concreta 
particular em que o aluno está efetivamente realizando 
um experimento com animais. O caráter monolítico, 
unidimensional, acrítico e alienado dos discursos aponta 
a vivissecção como prática inercial e tradicional, além de 
parte integrante, tida como indispensável, do paradigma 
moderno das ciências biológicas. Vista como mal necessário, 
a prática da vivissecção cega cientistas e educadores para 
a busca de métodos alternativos ou substitutivos. Com ela 
ficam ciência e homem empobrecidos.
Recebido por e-mail

domingo, 26 de maio de 2013

CONFLITO: REDE ELÉTRICA X ÁRVORES

Participe dessa discussão, posicione, exerça sua cidadania!

 
O conflito entre a rede elétrica e as árvores são um problema no Brasil.
Estamos lançando a idéia do começo de uma grande discussão para mudarmos esse paradigma.
As cias elétricas não investem, o poder público não toma conhecimento e a população que arca com as contas é a grande prejudicada.
As cias elétricas são simples prestadoras de serviço, e esse serviço tem que atender tudo que o consumidor quer.Mas isso não acontece, visto que nossas redes ainda são aéreas , perigosas e danificam e tomam o lugar de nossas arvores.Pagamos por um serviço que não está de acordo com seu preço.
 
Seguem informações para que todos possam participar , opinar e fornecer material sobre o assunto.
 
Movimento Resgate o Cambuí

 
 
Anexos
1a-Problemas concessionária e acidentes com a fiação causando interrupção de energia
2a-Discussão arvores/fiação
 
 
 
Teses
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Mais informação
 
Band Cidade Campinas - arvores fiação elétrica - 17 04 2013
 
 
Plano para enterrar fiação elétrica em SP levaria 3.000 anos no ritmo atual
ATENÇÃO PARA A FALA: Eletropaulo aluga seus postes e admite enterrar os fios mas não quer perder essa receita.....
 
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Árvores por um fio

Como fios e galhos lutam pelo espaço aéreo nas ruas, redes elétricas subterrâneas podem ser a saída para a arborização urbana

Apesar de muitas pessoas não repararem no céu enquanto estão na correria dos grandes centros urbanos, basta uma espiada pela janela para que uma paisagem conflitante seja facilmente percebida: fios e galhos disputando o mesmo espaço aéreo. Um planejamento inadequado, aliado quase sempre à falta de manutenção, faz com que postes, árvores e solo sejam prejudicados.
Ambientes quentes, calçadas e asfalto danificados pelas raízes, postes com emaranhados de fios junto a folhas, galhos e até ninhos de pássaros, árvores podadas de forma tão drástica que, certamente, morrerão futuramente. Tendo em vista estes problemas, o Movimento Resgate o Cambuí, em Campinas (SP), luta por uma causa pouco conhecida no Brasil: enterrar os fios elétricos aéreos das ruas.
Desde sua criação, há cerca de dez anos, o movimento não-governamental, que busca promover a arborização e aumentar a qualidade de vida no bairro em que atua (o Cambuí), já apresentava entre seus principais objetivos o da criação de uma rede elétrica subterrânea. “Lugar de fio não é à mostra nas ruas. Não é só uma questão de estética. Quando falamos de fios e árvores falamos de segurança”, diz Tereza Penteado, responsável pelo movimento.
Segundo José Pissolato, professor da Unicamp e especialista em alta tensão, as redes elétricas subterrâneas consistem em redes compactas de energia instaladas abaixo do solo, com os fios protegidos por dutos. “Essas redes substituem as atuais feitas com postes e cabos elétricos. Ela é feita dentro de dutos protegidos contra água e outros, como pequenos animais”.
Pissolato ainda explica que os benefícios deste tipo de rede não são poucos. “Dentre os benefícios está o fornecimento de energia sem paradas por descargas atmosféricas ou por queima de transformadores. Para ambiente, sem dúvidas, a rede subterrânea é muito favorável: mantém a área urbana mais bonita e arborizada já que as arvores poderão existir sem problemas, sem cortes por parte do pessoal das concessionárias e sem o perigo para a população”.
Tereza Penteado concorda com o especialista. “Com os fios enterrados, ninguém tomaria choques, o ambiente mais arborizado promoveria maior bem-estar e lazer, diminuindo a violência”, afirma a profissional.
Um estudo recente da Universidade de Temple, nos EUA, coincide com a afirmação de Penteado. Segundo a pesquisa, além de melhorar a qualidade do ar e deixar a paisagem urbana mais agradável, as árvores também podem combater a criminalidade nas grandes cidades, reduzindo, principalmente, o número de casos de agressão, furto e roubo. Segundo os pesquisadores da universidade, localizada na Pensilvânia, as árvores, os arbustos, praças e parques com a vegetação bem cuidada incentivam a interação social e a ocupação da comunidade nos espaços públicos, coibindo práticas violentas.
Menor não é melhor
A solução proposta por prefeituras, como a de plantar árvores de pequeno porte nas calçadas para que não prejudiquem os fios ou as calçadas, não é, segundo Tereza Penteado, necessariamente correta. “Cansamos de nos deparar com mudas de quaresmeiras plantadas ao lado de um bambu e em um canteiro pequeno o suficiente para comportar apenas o tronco da árvore”.
Na opinião dela, essa tentativa de arborizar a cidade não está correta. Nem sempre “aquela região é ideal para comportar uma quaresmeira”. Penteado afirma que “quase sempre, as mudas são plantadas por pessoas sem qualquer especialização, que apenas fazem um trabalho terceirizado para a Prefeitura”.
O professor José Pissolato explica que a infraestrutura subterrânea ainda não é muito presente no País devido ao custo de sua instalação. “As instalações iniciais são mais caras que as instalações aéreas, mas o investimento vale a pena. Em longo prazo, em termos de manutenção, ela não tem os problemas que as aéreas têm. Por exemplo, uma queda de árvore, uma colisão de um carro e descargas atmosféricas não afetam os fios dentro do duto subterrâneo. Como as redes ficam abrigadas embaixo da terra, a proteção contra descargas atmosféricas é de quase 100%”.
Não existe uma lei brasileira que obrigue as concessionárias a investirem nas redes subterrâneas e Pissolato lamenta o fato. “Aqui essas redes são raras, há no centro de São Paulo e na Avenida Paulista, onde não se vê mais postes com fios na rua. Mas no exterior isto já é bem utilizado nas grandes cidades como em Paris, Londres e outras cidades da Europa”.
O outro lado
Segundo o gerente de planejamento do sistema elétrico da CPFL Energia (responsável pela distribuição e fornecimento de energia nos Estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Minas Gerais), Evaldo Baldin Dias, na maioria dos casos, a redução dos índices de interrupção em relação às redes aéreas não justifica o investimento em redes subterrâneas. Por isso mesmo, a implantação das redes subterrâneas ocorre de maneira pontual, por decisão de empreendedores de condomínios ou então em parceria com prefeituras municipais.
Tereza Penteado diz se sentir injustiçada ao estar em um País democrático que cobra altos impostos mas que não oferece à população aquilo que lhe traria benefícios. “Pagamos uma das mais caras tarifas de energia elétrica no mundo. Pagamos muito por uma infraestrutura que não é eficiente nem para o homem e nem para o ambiente. Temos o direito de receber um serviço de qualidade, custe o que custar”, afirma.
Apesar da triste realidade aérea das redes elétricas, ambos os profissionais mostraram uma visão firme e positiva quanto à luta da população pela implantação de um sistema subterrâneo. “Uma pressão governamental e por parte da população nas concessionárias a respeito desse assunto pode trazer benefícios a todos no meu ver”, diz Pissolato.
“Acredito que estamos, sim, caminhando para uma conscientização social. Percebo no próprio Movimento em que trabalho como a população tem arregaçado as mangas e lutado cada vez mais pelos seus ideais. Afinal, acho que estamos nos dando conta da triste realidade de nosso País. Se não lutarmos por nossos interesses, não vai ser o poder público que fará isto por nós”, complementa Tereza Penteado.
 
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Enviado por Tereza e grupo do Mov. resgate Cambuí