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terça-feira, 17 de setembro de 2013

EROTISMO POLITICAMENTE CORRETO


Antropóloga se debruça sobre o discurso que constrói uma sexualidade gratificante na velhice

MÁRCIO FERRARI | Edição 211 - Setembro de 2013
© LÉO RAMOS
Com o aumento da longevidade, a velhice está se tornando a fase mais longa da vida. Contada geralmente a partir dos 60 anos de idade – mas não raro a partir dos 50 –, às vezes corresponde a quase metade da existência de uma pessoa. Atualmente já se pode falar não de uma única velhice, mas de várias, dependendo da faixa etária e das condições sociais e individuais do idoso. Por ser o prolongamento da expectativa de vida um fenômeno recente e veloz, as políticas públicas, as concepções médicas e as de senso comum sobre a velhice se sucedem, se entrelaçam e muitas vezes se confundem.
As variações e contradições dos discursos gerontológicos das últimas décadas são o tema do estudo Velhice, violência e sexualidade, da professora Guita Grin Debert, do Departamento de Antropologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O trabalho se insere num conjunto de estudos que a pesquisadora vem desenvolvendo ao longo de sua carreira acadêmica, cujas conclusões mais recentes se encontram no campo da sexualidade – ou, mais precisamente, no processo de “erotização da velhice” verificado nas últimas décadas.
O estudo foi feito com base na análise de documentos e pronunciamentos oficiais, de textos publicados na imprensa e da literatura de autoajuda, além de dados etnográficos obtidos em espaços de socialização de pessoas idosas. O que se percebe, segundo Guita, é uma mudança marcante da década de 1970 para cá. Evoluiu-se de uma concepção em que a velhice é caracterizada como uma fase de “decadência física e perda de papéis sociais”, na qual a vivência sexual praticamente se extingue, para outra em que uma sexualidade ativa e gratificante é pré-requisito para uma vida saudável e feliz.
É quando surge o conceito de “terceira idade” e passa a predominar a ideia de que o sexo “é quase uma obrigação” para os idosos. Trata-se do que a pesquisadora chama, tomando de empréstimo uma expressão criada pela socióloga Maria Filomena Gregori, de “erotismo politicamente correto”. Não por acaso, na discussão sobre a terceira idade, os médicos vão perdendo terreno para os psicólogos.
“A velhice se tornou a idade do lazer e da realização pessoal”, diz Guita. Essa concepção, que não se restringe ao Brasil, acaba influindo diretamente nas definições do que é ser velho e nos parâmetros da “gestão do envelhecimento”. “Não deixa de ser também um novo mercado, porque, entre todos os grupos sociais, o dos velhos é o que tem mais disponibilidade de consumo”, diz a antropóloga.
A derrubada do mito da velhice assexuada se deu em campos múltiplos. Estudos de várias áreas comprovaram que a sexualidade não se esgota com o passar dos anos. É indiscutível o declínio da frequência das relações sexuais, mas emerge, por outro lado, a percepção de que a qualidade dessas relações pode aumentar. Os encontros podem tornar-se mais livres e afetuosos. Percebe-se que os papéis tradicionais de gênero, nesse sentido, tendem a se inverter: as mulheres passam a ser menos recatadas e os homens, mais afetuosos. Nas sensações também haveria mudanças: o prazer estaria espalhado pelo corpo, ocorrendo um processo de “desgenitalização”.
© LÉO RAMOS
A sexóloga e psiquiatra Carmita Abdo, do Projeto de Sexualidade (Pro-Sex) do Hospital das Clínicas da Universidade São Paulo, coordenou em 2008 o Mosaico Brasil, um amplo estudo sobre a sexualidade dos brasileiros. Os resultados mostraram que a atividade sexual é mantida na velhice, mas não sem percalços. “A chegada da menopausa na mulher, com o fim da produção de hormônios, causa um grande impacto físico e psicológico, em especial num país que cultua tanto a beleza e a jovialidade”, diz Carmita. Entre os homens, a fertilidade se mantém, mas, a partir da quinta década de vida, aumenta a incidência de problemas de saúde que comprometem a potência sexual.
O desejo, no entanto, permanece. “O repertório sexual muda com a idade. Torna-se menos arrojado, até pelas limitações da mobilidade física”, diz a sexóloga. “O ato é mais rápido do que antes, mas as carícias se prolongam. O prazer é tanto maior quanto for a cumplicidade do casal.” Relações não maritais também vêm aumentando, tanto entre homens quanto entre mulheres, muitas vezes com parceiros mais jovens.
Portanto, um “sexo sem pressa” seria o marco dessa fase da vida. O surgimento dos medicamentos contra a disfunção erétil, contudo, prenuncia um reajuste de discurso que ainda está em andamento. “O triunfo da ênfase nos ganhos da velhice, ainda que possam ter eclipsado a necessidade de atenção às perdas físicas, contribuiu positivamente para quebrar preconceitos e trouxe uma aceitação da diversidade relacionada à idade”, diz Guita. E a ideia de que uma vida sexual ativa faz bem à saúde tem fundamento, segundo Carmita, ainda que de modo indireto, pela satisfação que traz.
Num aparente paradoxo, a nova configuração das concepções de velhice permitiu até mesmo uma libertação, entre as mulheres, das “obrigações” da vida sexual regular e característica das relações maritais. Muitas idosas viúvas, solteiras e separadas, ou cujos maridos sofrem de doenças incapacitantes, frequentam bailes da terceira idade, objeto de estudos separados das antropólogas Mirian Goldenberg, do Departamento de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Andrea Moraes Alves, da Escola de Serviço Social da mesma instituição. Ambas detectaram uma continuidade dos investimentos na sexualidade do corpo – a vaidade e os cuidados estéticos se mantêm, embora sem o vínculo com o exercício da sedução –, mas agora acompanhada de liberdade: a liberdade de não transar.
É o que Mirian define como uma substituição do “eu preciso” (ser mãe, esposa, amante) pelo “eu quero” (diversão, prazer, amizade com outras mulheres). O parceiro da dança, geralmente mais jovem, não é necessariamente um parceiro sexual. Essa abstinência, para muitos analistas – incluindo Guita Debert, Carmita Abdo e a própria Andrea Moraes Alves –, ainda revela a carga de uma moralidade conservadora e “atrelada ao estereótipo da mulher que deve obedecer”, nas palavras da antropóloga da Escola de Serviço Social da UFRJ. Seja como for, Mirian ressalta que as entusiastas desses bailes resistem “às imagens de um corpo envelhecido”. Um dado revelador, nesse sentido, é apontado por ela entre os dados de sua pesquisa: o único grupo social que discorda da conhecida ideia de que os homens envelhecem melhor é o das mulheres acima de 60 anos.
© LÉO RAMOS
As pesquisas conduzidas por Mirian, que deram origem ao livro recém-lançado A bela velhice (editora Record), mostram que, ao chegar à terceira idade, as mulheres se sentem propensas a se distanciar de uma vida familiar que mais cobra do que proporciona, enquanto os homens, depois de anos dedicados a obrigações profissionais, procuram na família um acolhimento que se reveste de novidade e gratidão. Profissionalmente, também há um contraste entre os gêneros. “Enquanto os homens idosos se realizam com novos estudos e novos trabalhos que trazem prazer, mais do que remuneração, as mulheres buscam fazer exclusivamente coisas de que gostam, geralmente no campo da socialização e da reciprocidade”, diz Mirian. Guita percebe fenômeno semelhante: as mulheres procuram a amizade de outras mulheres, os homens se engajam em atividades conjuntas com outros homens, como associações de aposentados.
A aposentadoria, como reivindicação-símbolo do estrato social dos idosos, é, segundo Guita, o marco do discurso gerontológico dos anos 1970, “em seu empenho em sensibilizar o poder público e a sociedade para a importância de estudos e de ações voltadas para um envelhecimento populacional bem-sucedido”. A antropóloga observa, no entanto, que a ênfase numa visão negativa da velhice já não encontrava, nas pesquisas, concordância da parte dos próprios idosos. Hoje mais ainda: como atestam depoimentos colhidos por Mirian Goldenberg, muitas pessoas dizem viver na velhice a melhor fase de suas vidas. Os depoimentos de idosos que participam de universidades e demais grupos de convivência para a terceira idade revelam um otimismo que não se coaduna com a ideia de uma fase da vida marcada pela falta.
Tais associações, inclusive aquelas criadas por órgãos públicos como a Secretaria dos Direitos Humanos do governo federal, seguidamente se rebelam contra discursos oficiais que atribuem aos sistemas de bem-estar dos idosos a responsabilidade por gastos públicos excessivos. “Combater os preconceitos em relação à velhice era mostrar que seus participantes mantinham a lucidez e sabiam criticar os governos, os políticos e as interpretações errôneas que a mídia fazia de todos os diferentes aspectos da vida social brasileira”, escreveu Guita no artigo “Fronteiras de gênero e a sexualidade na velhice”. “Muitos deles eram críticos dos programas para a ‘terceira idade’, que alguns chamavam de ‘playground de velhos’, por desviarem aposentados e pensionistas de seus reais interesses.”
O descompasso entre as percepções da velhice presentes nos discursos hegemônicos, de um lado, e na experiência dos próprios idosos, de outro, vigora igualmente no campo da sexualidade. A visão “oficial” aborda o erotismo na terceira idade de um ponto de vista da manutenção da juventude. “Não consta nenhuma intenção de promover, do ponto de vista estético, os corpos envelhecidos”, diz Guita. O novo mito da velhice feliz e erotizada também cobra seus dividendos. A antropóloga Andrea detecta, nas mulheres idosas, diferentes “estratégias” no modo como elas lidam com o próprio corpo. Uma delas é “negociar” constantemente os limites do rejuvenescimento. De um lado, investem em cirurgias plásticas, maquiagem e roupas para prolongar a aparência jovem. De outro, se mantêm alertas (e tensas) para não correr o risco de parecerem “velhas ridículas e vulgares”. E raras são as mulheres que, ainda nos primeiros anos da velhice, enfrentam o tabu dos cabelos brancos, sem tintura, “tão marcante no Brasil”.
ProjetoSexualidade, gênero e violência nas políticas da velhice (2011/10537-6); Modalidade:Linha Regular de Auxílio a Projeto de Pesquisa; Coord.: Guita Grin Debert/Unicamp;Investimento: R$ 36.208,15 (FAPESP).
Recebido por e-mail do Eg

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A HISTÓRIA VERDE DA CIVILIZAÇÃO


















Autor(es): Alexandre Mansur e Marco Vergotti

Época - 18/06/2012

Como o que fazemos com a natureza determinou o sucesso ou o fracasso 
das civilizações desde a Antiguidade até hoje.

Os humanos ergueram a civilização graças a sua engenhosidade, iludidos 
pela impressão de que podiam dominar a natureza sem consequências. 
Na Pré-História, consolidaram seu domínio acabando com outros 
hominídeos concorrentes, como os neandertais ou os Homo erectus. 
Extinguiram grandes espécies, como os cangurus de 3 metros da Austrália, 
os mamutes da América do Norte e as preguiças-gigantes da América no 
Sul. Com o desenvolvimento tecnológico, a exploração predatória de recursos 
começou a levar à falência algumas empreitadas. O caso mais clássico ocorreu 
na Ilha de Páscoa, onde a população montou uma uma sociedade sofisticada, 
com conhecimentos de astronomia e artes, mas ignorante de ecologia. 
Desmataram a ilha e inviabilizaram a própria agricultura. Quando os 
europeus os encontraram, restavam poucos descendentes maltrapilhos 
que recorriam ao canibalismo para sobreviver. Outros fracassos estão 
escondidos sob nossos pés. No século XIX, o Vale do Paraíba, entre o 
Rio de Janeiro e São Paulo, sustentou o império do café, movido a 
trabalho escravo e desmatamento. Quando a Mata AtlIantica mais 
exuberante do país foi toda queimada, o solo empobrecido e seco não 
sustentava nem capim. Os netos dos barões do café acabaram pobres. 
Estamos agora diante de novas ameaças. Desta vez em escala global. 
A história pode nos ajudar a tomar decisões mais sábias.

As civilizações perdidas
5000 a.C.-1300 d.C.

2000 a.C. a 1700 a.C.

SUMÉRIA
Atual Curdistão

Desenvolveram a primeira escrita conhecida. Ergueram a 3000 a.C. 
uma civilização baseada na agricultura irrigada entre os rios Tigre e 
Eufrates. A falta de cuidado levou à salinização do solo. Entre 2400 a.C. e 
1700 a.C., a produção caiu 65%, mesmo com a substituição do trigo por 
cevada, mais tolerante. A terra ficou branca e a Suméria ruiu.

600 a.C. a 300 a.C.

FENÍCIOS E GREGOS
Mediterrâneo

As florestas mediterrâneas, especialmente ricas em cedros do Líbano, se 
estendiam do Marrocos ao Afeganistão. Eram matéria-prima essencial 
para a construção e navegação dos fenícios. Foram gradualmente destruídas. 
Os gregos tiveram de plantar oliveiras para conter a erosão das encostas 
nuas.

250 a.C. a 900 d.C.

MAIAS
México

Fizeram pirâmides e observatórios astronômicos. Corrigiam o solo para 
plantar milho. Desmataram tanto que as chuvas diminuíram em até 20%.
Começaram a passar fome e entraram em decadência antes da chegada 
dos espanhóis.

600 a 1200 d.C.

ANASAZIS
Estados Unidos

A sociedade anasazi floresceu por volta do ano 600 e ruiu antes de1200. 
Chegaram a levantar prédios com seis andares e 600 cômodos, usando 
pedras e estruturas com vigas de madeira. Acabaram com as florestas da 
região. A agricultura esgotou o solo. Foram dizimados por uma 
sequência de anos secos.

1200 a 1700 d.C.

RAPA NUI
Ilha de Páscoa

Os primeiros habitantes da ilha a chamavam Rapa Nui. Ergueram uma 
civilização com conhecimentos sofisticados de astronomia e construíram 
as famosas estátuas, os Moais. Desmataram toda a ilha, gerando seca e 
solos inférteis. Foram dizimados pela fome, pela guerra civil e acabaram
praticando canibalismo.

O impacto ganha escala
1400 a 1930

1492 a 1800

COLONIZAÇÃO DO NOVO MUNDO
Américas

Os europeus encontraram uma população com 50 milhões a 110 milhões 
de pessoas isolada do mundo há 10 mil anos. Doenças como a gripe e a 
varíola mataram mais do que as armas, a fome e a escravidão. Ratos e 
esquilos europeus exterminaram espécies nativas.

1750 a 1850

REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
Europa

A invenção de máquinas a vapor movidas a carvão permitiu a produção 
em massa de roupas, carros, trens e comida. Criou uma nova sociedade 
de consumo e conforto, assim como a poluição do ar e o aquecimento 
global pela queima de combustível fóssil.

1830 a 1909

DESCOBERTA DO PETRÓLEO
Europa

O início da exploração de petróleo na Rússia, na Polônia, nos EUA e no 
Canadá substituiu o carvão. Gerou mais riqueza e conforto e agravou 
o aquecimento global. Em 1909, a indústria inventou o plástico, material 
sintético que nunca se decompõe.

A DESCOBERTA DAS CONSEQUÊNCIAS
1830 a 1970

1830 a 1888

CAFÉ
Brasil

Os fazendeiros do Brasil plantavam café, um dos produtos mais 
valorizados do mundo, no Vale do Paraíba. Os lavradores derrubaram 
a Mata Atlântica mais rica do país. A lenha alimentava a ferrovia 
Central do Brasil. A prática gerou erosão e esgotamento do solo. 
No fim, a terra não dava nem para capim. Os barões do café faliram.

1914

POMBO-PASSAGEIRO
Estados Unidos

Os primeiros colonizadores europeus encontraram uma população de 5 
bilhões de pombos-passageiros (Ectopistes migratorius) nos EUA. 
Eram de 20% a 40% das aves do continente. Os bandos escureciam o 
céu levavam horas para passar voando. A caça e o desmatamento 
acabaram com eles. O último da espécie morreu em 1914.

1934 a 1936

DUST BOW
Estados Unidos e Canadá

O desmatamento do Meio-Oeste para agricultura expôs o solo e mudou o 
clima local. O solo nu começou a secar e erodir. Tempestades de areia 
assolavam as cidades da região. A quebra das safras agravou a fome na 
crise financeira dos anos 1930.

1945

HIROSHIMA
Japão

No dia 6 de agosto, na Segunda Guerra Mundial, os EUA lançaram uma 
bomba atômica na cidade. De 90 mil a 166 mil pessoas morreram nos 
quatro meses seguintes. Surgiu ali o medo da radiação usada para fins 
pacíficos nas usinas nucleares.

1952

GREAT SMOG
Inglaterra

Em dezembro de 1952, condições atmosféricas impediram a dispersão da 
fumaça de carvão das chaminés. A névoa cobriu Londres. Cerca de 25 mil 
pessoas adoeceram e 6 mil morreram. O evento deu força ao incipiente 
movimento ambiental na Europa.

1974

BURACO DE OZÔNIO
Planeta Terra

O químico mexicano Mario Molina publicou o primeiro estudo que 
mostrava a redução na camada de ozônio da alta atmosfera, provocada 
por gases CFCs usados em refrigeradores, sprays e na indústria. O 
fenômeno aumenta nossa exposição a raios solares cancerígenos. 
Um acordo internacional de 1987 começou a eliminar esses gases.

1984

BHOPAL
Índia

O vazamento de gás de uma fábrica de pesticidas da Union Carbide, 
em Bhopal, causou a morte de 3 mil pessoas nas semanas seguintes e 
8 mil nos anos posteriores. O desastre mudou as regras de segurança 
das indústrias.

1984

CUBATÃO
Brasil

Em 24 de fevereiro, um duto de gasolina sob a favela de Vila Socó 
explodiu, matando 99 pessoas. Em 1993, surgiram denúncias de 
depósitos clandestinos de substâncias tóxicas da Rhodia. Desde então, 
as indústrias investiram US$ 1 bilhão em redução de poluentes e 
segurança.

1986

CHERNOBYL
Ucrânia

Em 26 de abril, o núcleo de um dos reatores da usina explodiu. 
A nuvem radioativa chegou à Alemanha. O acidente causou 
diretamente 50 mortes e estima-se que tenha contribuído para 
doenças letais de pelo menos 4 mil pessoas.

1987

CÉSIO-137
Brasil

Em 13 de setembro, catadores encontraram uma cápsula de césio-137, 
altamente radioativo, dentro de um aparelho médico num depósito de 
lixo em Goiânia. Nos primeiros dias, o governo do Estado escondeu o 
perigo, dizendo que era um "vazamento de gás”. No total, 249 pessoas 
foram contaminadas e 29 adoeceram. Quatro morreram.

A política ecológica
1992-2012

1992

RIO 92
Brasil

A Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, de 3 a 14 
de junho, reuniu representantes de 172 países, entre eles 108 chefes de 
Estado. Criaram as negociações sobre clima, desertificação e 
biodiversidade. Os eventos paralelos, reunidos no Fórum Global, 
foram o primeiro grande encontro mundial de ONGs.

1996

VACA LOUCA
Europa

O uso de ração de origem animal para alimentar bovinos herbívoros 
gerou uma doença batizada de síndrome da vaca louca. Ela 
contaminou a carne, matando 166 pessoas no Reino Unido e 44 
em outros países. Alimentou o medo de uma técnica diferente: 
os transgênicos.

1997

PROTOCOLO DE KYOTO
Japão

Após anos de negociações, foi o primeiro acordo internacional para 
reduzir as emissões dos gases responsáveis pelas mudanças climáticas. 
Embora insuficiente, ainda é o único tratado em vigor.

2005

KATRINA
Estados Unidos

Atingiu o Estado da Louisiana, inundou Nova Orleans, matou 1.836 
pessoas e gerou US$ 81 bilhões de prejuízos. Foi usado como amostra 
das consequências das mudanças climáticas, embora não exista certeza 
de que o aquecimento altere a força dos furacões.

2007

IPCC
França e Bélgica

O painel, organizado pela ONU desde os anos 1990, reúne milhares 
de pesquisadores do mundo todo para estabelecer o consenso 
científico sobre o clima. Os relatórios de 2007 mostraram mais 
claramente o papel humano no aquecimento e suas consequências. 
Tornaram-se referência para empresas e governos.

2011

FUKUSHIMA
Japão

O terremoto e o tsunami que atingiram o Japão em 11 de março 
provocaram falhas nos sistemas de usina nuclear Fukushima Daiichi. 
O núcleo de três reatores fundiu. Um perímetro de 20 quilômetros 
foi evacuado. Índices de radiações subiram até Tókio. 
A crise foi controlada, mas a indústria nuclear não se recuperou.

Matéria retirada do site: 

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2012/6/18/
a-historia-verde-da-civilizacao