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quarta-feira, 8 de abril de 2015

PROTEÇÃO ANIMAL NAS ESCOLAS


EDUCAÇÃO

Proteção Animal é estimulada desde a infância nas escolas

07 de abril de 2015 às 6:00

Por Fátima Chuecco (da Redação)

A ANDA abre espaço para uma série de reportagens que abordará a proteção animal na infância, pois, é nessa fase que boa parte de nossa personalidade se forma. Muitas das experiências que temos quando crianças nos marcam para o resto da vida. Aliás, é lá na infância que muitos ativistas começaram a abraçar a causa animal mesmo sem se dar conta disso. Por isso, alimentar as crianças com atividades, livros, filmes e tudo o que possa motivar o amor e respeito aos animais é essencial para um futuro em que a natureza seja protegida e os bichos fiquem livres da escravidão.
Educadores com visão futurística percebem o quanto é importante falar de meio ambiente englobando tudo que está em torno da criança e não só de rios, praias e florestas, como se a natureza só existisse distante dela ou só onde ela passa as férias. 

A Educação Ambiental moderna entende que a criança precisa ser motivada a respeitar a borboleta que pousa em seu quintal, as árvores das calçadas, os passarinhos que moram na cidade e os cães e gatos que vê na rua. Tudo faz parte da natureza: nós, as águas, as florestas, os demais animais… tudo. Ensinar a preservar apenas rios e florestas é ensinar pela metade porque grande parte das criaturas nasce e cresce nas grandes cidades.

Essa série vai mostrar iniciativas que trabalham proteção animal com crianças em escolas, comunidades ou eventos. Haverá dicas de livros e filmes que podem sensibilizar as crianças nesse sentido. Aliás, quantos de nós não tiveram esse “despertar para a causa animal” a partir de algum filme ou livro onde um bichinho era o protagonista?

Como vemos pelas notícias, há um crescente número de pessoas se envolvendo com a causa animal ou, pelo menos, prestando ajuda a animais eventualmente. Chovem denúncias e resgates. São pessoas de várias idades e profissões, além de policiais e bombeiros que têm socorrido animais em situações extremas como nunca víamos acontecer anos atrás. São manifestações pelos direitos animais em toda parte do planeta. No entanto, vai depender das gerações futuras a criação de leis, de posturas e de uma nova visão. Que essa nova série da ANDA inspire a todos (educadores, pais, avós, tios, protetores e simpatizantes da causa) a envolver as crianças numa atmosfera de comunhão com a natureza e respeito aos animais, afinal, uma coisa não é possível sem a outra!

Capítulo Dois

Proteção Animal na escola
Diante de uma plateia mirim, a professora de Educação Física e integrante do grupo Adoção de Gatinhos da UFES (Universidade Federal do Espírito Santo), Daniella Muruce, fala sobre comércio de animais, adoção, guarda responsável, castração, maus-tratos, abandono e resgate. Ela usa uma linguagem própria para a criançada e mostra imagens também de acordo com a faixa etária nas escolas de Vitória (ES) por onde passa. Não cobra nada. É um trabalho voluntário de Educação Infantil voltado para a proteção animal.

A palestra dura em torno de 50 minutos e às vezes as crianças produzem desenhos a partir do que ouvem. O resultado costuma ser bem produtivo. Num rápido entendimento das questões, muitas das crianças expressam no papel a importância de não maltratar e nem abandonar os bichos. “Com o Projeto Proteção Animal na Escola procuro plantar uma sementinha no coração das crianças para despertar nelas o amor ou, pelo menos, o respeito pelos animais”, diz Daniella que também ministra a palestra para adolescentes e até em faculdades.

Daniella começou na proteção animal na infância. Toda vez que achava um bichinho na rua levava para casa. “Não segui nenhum exemplo. Fazia isso espontaneamente. Está no meu sangue. Hoje percebo a importância de conversar com as crianças e jovens sobre esse assunto, mas dependo de convite das escolas. É uma iniciativa sem fins lucrativos, mas que depende do interesse de outros educadores ou donos de escolas”, explica.

Entre em contato com Daniella através de sua página do Facebook ou do e-mail: dmuruce@hotmail.com

O mau exemplo:
Em março de 2014 a professora de Biologia Sônia Wenceslau Flores Rodrigues, do Ifes – Instituto Federal do Espírito Santo em Piúma, estrangulou quatro gatinhos recém-nascidos alegando que não teriam chance de sobreviver sem a mãe, morta no parto. Ela declarou que foi um “ato de piedade”. Alunos, pais e protetores ficaram chocados com tamanha frieza e se manifestaram. Na rede social os estudantes espalharam a foto de uma gatinha com um cartaz que dizia “Eu não mereço ser estrangulada”. O Ifes declarou que não havia provas de que a professora teria cometido o ato dentro da escola e nem na frente dos alunos. Em setembro de 2014, Sônia foi promovida a diretora de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da estrutura administrativa do campus do Ifes em Piúma. Difícil de acreditar, mas a nomeação foi publicada no Diário Oficial e pode ser vista na Internet.

Livros em prol da causa animal
Muitos livros podem encantar as crianças e ao mesmo tempo educar no sentido de respeitarem todo tipo de vida. E alguns dos autores escrevem com base em experiências que tiveram na infância. É o caso de Colin Thompson, autor e ilustrador de mais de 40 obras, ganhador de vários prêmios na Literatura Infantil. Embora gostasse muito de bichos, foi impedido de adotá-los quando menino por imposição dos avós que o criaram. Essa paixão continuou latejando dentro dele e na fase adulta o escritor mergulhou de cabeça em histórias que projetassem amor aos animais.

Em “O pequeno grande livro da tristeza feliz” (Editora Brinque-Book), por exemplo, um garotinho adota um cão deficiente físico (com apenas três patinhas) que está no abrigo municipal e prestes a ser sacrificado. Na obra “O amor está onde menos se espera” um cachorrinho é adotado, mas não recebe nenhuma atenção da família, então se esforça ao máximo para mostrar todo o amor que tem para dar. Thompson diz que escreve sobre bichos porque não suporta a crueldade contra eles.
“Muitos animais fazem coisas mais bonitas e inteligentes que os humanos. Pessoas que fazem mal aos bichos são inferiores a eles. O homem é a única criatura que está arruinando o planeta. Os livros podem ensinar muito as crianças. Esse é meu trabalho”, desabafa. Os livros de Thompson são vendidos em livrarias do Brasil. Ele vive na Austrália com os cachorros Max e Daisy (resgatada de um lixão).

Bezerro escritor
Falar do sofrimento dos animais para abate para crianças pode ser difícil, mas o livro de Igor Colares pode ajudar. Em sua obra “Bezerro Escritor” ele narra a história de um bezerrinho que sofre ao ver a situação de sua mãe, uma vaca leiteira. Por meio de poemas, o bezerrinho tenta convencer os humanos que a extração de leite é cruel, que sua mãe fica doente, sente dor e que não há necessidade nenhuma de humanos adultos tomarem leite, muito menos leite de vaca. O livro está à venda somente pelo site.

O mau exemplo:
Há muitos livros que mostram “animais da fazenda”, especialmente para crianças bem novinhas. É como dizer “esses aqui são para comer”. Do ponto de vista “educacional”, mesmo sem tocar na questão da proteção animal, esses livros estão dando uma informação completamente errada, pois, não existem “animais de fazendas” e sim obrigados a nascerem e viverem nelas para servirem de consumo. Esses livros levam as crianças a tratarem a escravidão animal com naturalidade. Elas aprendem, desde cedo, que cachorro e gato podem fazer parte da família, mas outros bichos devem ir para a panela.

O gato do artista de rua
No livro “Malhado Miau”, de Julia Donaldson e Axel Scheffler (Editora Fundamento), Malhado é o gato de um artista de rua que com seu violão arrecada todo dia uns trocados. Mas ele sofre um acidente, fica hospitalizado e Malhado se perde na cidade. A partir disso o livro mostra como um gato pode ser um amigo leal, incapaz de esquecer e de se separar de seu tutor. As ilustrações são bem meigas e de cor vibrante, o que deixa a leitura ainda mais atraente aos olhos das crianças. À venda nas livrarias do Brasil.

Veja também o primeiro episódio dessa série neste link.

Publicado no site da ANDA - Agência de Notícias de Direitos Animais
O maior portal de notícias sobre animais do mundo

Foto: Vera

segunda-feira, 23 de março de 2015

PROMOTORIAS DE DEFESA ANIMAL

Assine a petição para a criação das PROMOTORIAS DE DEFESA ANIMAL em todo o país

Ela está disponível em http://goo.gl/zse8cH


Se já assinou, compartilhe com seus contatos! Os animais contam com você!


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CONTRA O TRÁFICO DE ANIMAIS SELVAGENS

Usuários do Facebook podem ajudar a Polícia Ambiental no combate aos crimes de tráfico de animais no Brasil


terça-feira, 29 de julho de 2014

ORAÇAO DOS ANIMAIS


Senhor, também nosso Deus! 
Somos humildes em nossa essência, e com essa humildade é que Vos pedimos, Pai, apressai-Vos em nos socorrer! Precisamos de Vosso auxílio vindo como um raio de luz porque somos maltratados, abandonados, torturados, enxotados das portas e vemos nossas vidas se extinguindo mais e mais, todos os dias, indiscriminadamente pelas mãos violentas do homem.

O mesmo homem, Pai, que há milhares de anos nos permitiu cruzar para que, em sua soberba, nos fizesse escravos, auxiliando como mão-de-obra nos trabalhos e na guarda de suas cabanas. Sim, Pai, fomos utilizados pelos homens de todas as formas e sofremos todas as atrocidades da escravidão, culminando nossa velhice em abandono de nossos corpos ainda vivos em campos solitários.

O mundo evoluiu através das mãos dos homens e, alguns de nós, os de raça, se tornaram adornos domésticos. A nós, os sem raça, coube apenas um banco frio e úmido nas praças para que nos escondamos sob ele, e vez por outra, uma mão amiga que passa e nos sacia a fome e a sede, algumas até nos acariciando. Mas elas se vão, e a nossa realidade solitária fica conosco, em nossas vidas.

Outras mãos chegam para nos atormentar, ferir e nos enxotar. E quando estas mãos cruéis chegam à nossa volta, rezamos Pai, para que apenas nos enxotem, porque as torturas são bárbaras, nos causam muita dor.
Oh, Pai! De seres úteis para o trabalho passamos a ser a escória de nossa própria espécie, uma escória que precisa, segundo o homem, ser dizimada nos campos de concentração, aos quais a espécie humana carinhosamente chama de "carrocinha".

Senhor, não temos sabedoria suficiente para compreender no que somos diferentes dos nossos irmãos com raça definida. Por acaso não temos olhos para ver, ouvidos para ouvir, voz para nos expressarmos, quatro patas para nos locomover, pelos cobrindo nosso corpo, inteligência e sensibilidade para amar intensamente aos nossos donos, a ponto de compreendermos o estado de suas almas?

Quase não damos gasto, Senhor, somos mais resistentes fisicamente, comemos qualquer coisa e quase nada nos faz mal; qualquer pedaço de sabão nos lava o corpo e a qualquer dono amamos incondicionalmente. Moramos em qualquer cantinho, tomamos sol e chuva sobre o dorso, passamos frio e calor ardente, quase nunca adoecemos, e ainda assim amamos nossos donos.

Alguns, Pai, nos espancam por nada ou pelo tudo de suas vidas vazias, outros nos amarram com cordas envolvendo nosso pescoço, cordas estas que nos ferem, e apesar disso, continuam tendo nosso afeto e nossa fidelidade. Por que, Pai, por que não nos querem, por que nos abandonam? Nem sempre somos o exemplo da beleza física terrena, mas somos incondicionalmente o mais claro exemplo da beleza espiritual e de um belo coração. Sentimos dor e medo como nossos irmãos de raça, mas defendemos nossos donos acima das nossas próprias vidas, com coragem e determinação. E ainda assim, somos abandonados.

Óh, Pai, vem em nosso socorro. Apresssai-Vos Pai!
Somos assassinados aos milhares todos os dias em nome da saúde do homem. Somos centenas deixados longe de casa diariamente, por aqueles que nos prometeram afeto. Estamos morrendo, Pai! Mais do que a morte do corpo, nosso espírito se sente morrer de tristeza pela dor do abandono e do desprezo!

Apressai-Vos Pai, apressai-Vos em nos socorrer!
Impetrai no coração do homem a bondade que se perdeu nos corredores do tempo, que se limitou aos elos do passado. Impetrai no mundo a volta do respeito às Vossas leis, à Vossa presença que se reflete na vida por mais singela que seja, a mesma vida que Vós, Pai, com tanto amor criastes!

Ajudai àquelas pessoas que lutam sinceramente por nós, para nos manter vivos, para nos arrumar um lar, e que muitas vezes acima de suas posses nos mantém, nos curam as doenças do corpo. Dai a elas a força para prosseguir nessa luta, a coragem para tomar a frente por nós diante de sua própria espécie, e as cubra de bençãos com teu manto de luz e de prosperidade para que tenham meios de nos cuidar.

Apressai-Vos Pai, e ajudai-nos a encontrar um lugar, o NOSSO lugar no mundo. Ainda que este lugar Pai, esteja entre o grito silencioso dos nossos irmãos sacrificados e as palavras dos protetores em nossa defesa, em busca de uma chance de podermos continuar vivendo, em nome do respeito que eles têm por Vós e do amor sincero que têm por nós!

Autoria desconhecida


Recebido por e-mail de Nelice Buonacorso

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

CARTA DA TERRA


                                                  
                                                                                                        
O texto da Carta da Terra
PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa 
época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. 
À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e 
frágil, o futuro reserva, ao mesmo tempo, grande perigo e grande 
esperança. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio 
de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, 
somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um 
destino comum. Devemos nos juntar para gerar uma sociedade 
sustentável global fundada no respeito pela natureza, nos direitos 
humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. 
Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da 
Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, 
com a grande comunidade de vida e com as futuras gerações.

TERRA, NOSSO LAR
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. 
A Terra, nosso lar, é viva como uma comunidade de vida 
incomparável. As forças da natureza fazem da existência uma 
aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições 
essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação 
da comunidade de vida e o bem-estar da humanidade dependem 
da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas 
ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis,
águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos 
finitos é uma preocupação comum de todos os povos. A proteção 
da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A SITUAÇÃO GLOBAL
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando 
devastação ambiental, esgotamento dos recursos e uma missiva 
extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. 
Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos 
eqüitativamente e a diferença entre ricos e pobres está 
aumentando. 
A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm 
aumentado e são causas de grande sofrimento. O crescimento 
sem precedentes da população humana tem sobrecarregado 
os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global 
estão ameaçadas. 
Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

DESAFIOS FUTUROS
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra 
e uns dos outros ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade 
da vida. São necessárias mudanças fundamentais em nossos 
valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, 
quando as necessidades básicas forem supridas, o 
desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais 
e não a ter mais. 
Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer 
a todos e reduzir nossos impactos no meio ambiente. 
O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas 
oportunidades para construir um mundo democrático e humano. 
Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e 
espirituais estão interligados e juntos podemos forjar soluções 
inclusivas.

RESPONSABILIDADE UNIVERSAL
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um 
sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com a 
comunidade terrestre como um todo, bem como com nossas 
comunidades locais. 
Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de 
um mundo no qual as dimensões local e global estão ligadas. 
Cada um compartilha responsabilidade pelo presente e pelo 
futuro bem-estar da família humana e de todo o mundo dos 
seres vivos. 
O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda 
a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério 
da existência, com gratidão pelo dom da vida e com humildade 
em relação ao lugar que o ser humano ocupa na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de 
valores básicos para proporcionar um fundamento ético à 
comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, 
afirmamos os seguintes princípios, interdependentes, visando a 
um modo de vida sustentável como padrão comum, através dos 
quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, 
governos e instituições transnacionais será dirigida e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DE VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.


a) Reconhecer que todos os seres são interdependentes
e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua 
utilidade para os seres humanos.

b) Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos
e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da 
humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, 
compaixão e amor.

a) Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os 
recursos naturais, vem o dever de prevenir os danos ao meio 
ambiente e de proteger os direitos das pessoas.

b) Assumir que, com o aumento da liberdade, dos conhecimentos 
e do poder,vem a maior responsabilidade de promover o bem 
comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, 
participativas, sustentáveis e pacíficas.

a) Assegurar que as comunidades em todos os níveis garantam 
os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem 
a cada pessoa a oportunidade de realizar seu pleno potencial.

b) Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a 
obtenção de uma condição de vida significaria e segura, que seja 
ecologicamente responsável

4. Assegurar a generosidade e a beleza da Terra para as 
atuais e às futuras gerações.

a) Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é 
condicionada pelas necessidades das gerações futuras.

b) Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições 
que apóiem a prosperidade das comunidades humanas e 
ecológicas da Terra a longo prazo.

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas 
ecológicos da Terra, com especial atenção à diversidade 
biológica e aos processos naturais que sustentam a vida.

a) Adotar, em todos os níveis, planos e regulamentações de 
desenvolvimento sustentável que façam com que a 
conservação e a reabilitação ambiental sejam parte integral de
todas as iniciativas de desenvolvimento.

b) Estabelecer e proteger reservas naturais e da biosfera viáveis,
incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os 
sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e 
preservar nossa herança natural.

c) Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados.

d) Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados
geneticamente que causem dano às espécies nativas e ao meio 
ambiente e impedir a introdução desses organismos prejudiciais.

e) Administrar o uso de recursos renováveis como água, solo, 
produtos florestais e vida marinha de forma que excedam às taxas 
de regeneração e que protejam a saúde dos ecossistemas.

f) Administrar a extração e o uso de recursos não-renováveis,
como minerais e combustíveis fósseis de forma que minimizem o
esgotamento e não causem dano ambiental grave.


6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método 
de proteção ambiental e, quando o conhecimento for 
limitado, assumir uma postura de precaução.

a) Agir para evitar a possibilidade de danos ambientais sérios
ou irreversíveis, mesmo quando o conhecimento científico
for incompleto ou não-conclusivo.

b) Impor o ônus da prova naqueles que afirmarem que a
atividade proposta nao causará dano significativo e fazer com
que as partes interessadas sejam responsabilizadas pelo
dano ambiental.

c) Assegurar que as tomadas de decisão considerem as
consequências cumulativas, a longo prazo, indiretas, de 
longo alcance e globais das atividades humanas.

d) Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente 
e não permitir o aumento de substâncias radioativas,
tóxicas ou outras substâncias perigosas.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução 
que protejam as capacidades regenerativas da Terra, 
os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

a) Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas
de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser 
assimilados pelos sistemas ecológicos.

b) Atuar com moderação e eficiência no uso de energia e 
contar cada vez mais com fontes energéticas renováveis, 
como a energia solar e do vento.

c) Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência 
eqüitativa de tecnologias ambientais seguras.

d) Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens 
e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a 
identificar produtos que satisfaçam às mais altas normas 
sociais e ambientais.

e) Garantir acesso universal à assistência de saúde que 
fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.

f) Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida 
e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e 
promover o intercâmbio aberto e aplicação ampla do 
conhecimento adquirido.

a) Apoiar a cooperação científica e técnica internacional 
relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às 
necessidades das nações em desenvolvimento.

b) Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e 
a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuem 
para a proteção ambiental e o bem-estar humano.

c) Garantir que informações de vital importância para a saúde 
humana e para a proteção ambiental, incluindo informação 
genética, permaneçam disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social 
e ambiental.

a) Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança 
alimentar, aos solos não contaminados, ao abrigo e 
saneamento seguro, alocando os recursos nacionais e 
internacionais demandados.

b) Prover cada ser humano de educação e recursos para 
assegurar uma condição de vida sustentável e proporcionar 
seguro social e segurança coletiva aos que não são capazes 
de se manter por conta própria.

c) Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir 
àqueles que sofrem e habilitá-los a desenvolverem suas 
capacidades e alcançarem suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas 
em todos os níveis promovam o desenvolvimento 
humano de forma eqüitativa e sustentável.

a) Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e 
entre as nações.

b) Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos 
e sociais das nações em desenvolvimento e liberá-las de 
dívidas internacionais onerosas.

c) Assegurar que todas as transações comerciais apóiem o 
uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas 
trabalhistas progressistas.

d) Exigir que corporações multinacionais e organizações 
financeiras internacionais atuem com transparência em 
benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas 
conseqüências de suas atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade dos gêneros como 
pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e 
assegurar o acesso universal à educação, assistência 
de saúde e às oportunidades econômicas.

a) Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas
 e acabar com toda violência contra elas.

b) Promover a participação ativa das mulheres em todos os 
aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural 
como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão,
 líderes e beneficiárias.

c) Fortalecer as famílias e garantir a segurança e o carinho 
de todos os membros da família.


12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas 
as pessoas a um ambiente natural e social capaz de 
assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o 
bem-estar espiritual, com especial atenção aos 
direitos dos povos indígenas e minorias.

a) Eliminar a discriminação em todas as suas formas, como 
as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, 
idioma e origem nacional, étnica ou social.

b) Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, 
conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas 
relacionadas com condições de vida sustentáveis.

c) Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, 
habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de 
sociedades sustentáveis.

d) Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado 
cultural e espiritual.

IV. DEMOCRACIA, NÃO-VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos 
os níveis e prover transparência e responsabilização 
no exercício do governo, participação inclusiva na tomada 
de decisões e acesso à justiça.

a) Defender o direito de todas as pessoas receberem informação 
clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de
desenvolvimento e atividades que possam afetá-las ou nos quais 
tenham interesse.

b) Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover 
a participação significativa de todos os indivíduos e organizações 
interessados na tomada de decisões.

c) Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de 
reunião pacífica, de associação e de oposição.

d) Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos judiciais 
administrativos e independentes, incluindo retificação e 
compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.

e)  Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e 
privadas.

f) Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos 
seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais 
aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais 
efetivamente.


14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao 
longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades 
necessárias para um modo de vida sustentável.

a) Prover a todos, especialmente a crianças e jovens, 
oportunidades educativas que lhes permitam contribuir 
ativamente para o desenvolvimento sustentável.

b) Promover a contribuição das artes e humanidades, 
assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.

c) Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa 
no aumento da conscientização sobre os desafios ecológicos 
e sociais.

d) Reconhecer a importância da educação moral e espiritual 
para uma condição de vida sustentável.


15. Tratar todos os seres vivos com respeito e 
consideração.

a) Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades 
humanas e protegê-los de sofrimento.

b) Proteger animais selvagens de métodos de caça, 
armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, 
prolongado ou evitável.

c) Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou 
destruição de espécies não visadas.


16. Promover uma cultura de tolerância, não-violência 
e paz.

a) Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade 
e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as 
nações.

b) Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos 
violentos e usar a colaboração na resolução de problemas 
para administrar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.

c) Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até o nível 
de uma postura defensiva não-provocativa e converter os recursos 
militares para propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.

d) Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas 
de destruição em massa.

e) Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico ajude a 
proteção ambiental e a paz.

f) Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas 
consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, 
com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.


O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na História, o destino comum nos conclama a 
buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa destes 
princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos 
que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos 
da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. 
Requer um novo sentido de interdependência global e de 
responsabilidade universal. 
Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de 
um modo de vida sustentável nos níveis local, nacional, 
regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança 
preciosa e diferentes culturas encontrarão suas próprias e 
distintas formas de realizar esta visão. 
Devemos aprofundar e expandir o diálogo global que gerou 
a Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da 
busca conjunta em andamento por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. 
Isto pode significar escolhas difíceis. Entretanto, necessitamos 
encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, 
o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto 
prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, 
organização e comunidade tem um papel vital a desempenhar. 
As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, 
os meios de comunicação, as empresas, as organizações 
não-governamentais e os governos são todos chamados a 
oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, 
sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade 
efetiva. Para construir uma comunidade global sustentável, 
as nações do mundo devem renovar seu compromisso com 
as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando 
os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação 
dos princípios da Carta da Terra com um instrumento 
internacionalmente legalizado e contratual sobre o ambiente e 
o desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma 
nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de 
alcançar a sustentabilidade, a intensificação dos esforços 
pela justiça e pela paz e a alegre celebração da vida. 
 site http://www.cartadaterrabrasil.org/prt/text.html

sábado, 2 de novembro de 2013

O MISTÉRIO DO INSTITUTO ROYAL

O que é o Instituto Royal?


Em artigo, o professor aposentado da Unicamp Carlos Alberto Lungarzo tenta desvendar o que faz o Instituto, quem são seus clientes, que experimentos fazia com os beagles resgatados e como garantir o avanço ético da ciência. Leia abaixo.
O Que é o Instituto Royal?
ou
Todo aquele que vive da ciência é mesmo cientista?
Por Carlos Alberto Lungarzo*
Ativistas dos direitos animais, desarmados, entraram num bunker de tortura de bichos protegido por guardas, para liberar 178 beagles, o que deve ser considerado um gesto até agora ímpar no Brasil, análogo aos feitos dos ecologistas e os pacifistas no mundo desenvolvido.
Não é por acaso que a mídia, alguns blogueiros, os profissionais da ciência e diversos membros do establishment se unificaram numa ampla perseguição contra os ativistas.
Esta é a primeira vez que uma petição no Brasil tem 660.014 assinaturas (às 11:00, 30/10) em apenas um de vários sites que acolhem o protesto.
Os especialistas em assuntos gerais dizem que o instituto era uma referência nacional. Mas, afinal, ninguém responde:
O que é o Instituto Royal?
Busca inglória
Durante décadas no Brasil, eu nunca havia ouvido falar do Instituto Royal de São Roque, SP. Envergonhado, comecei uma busca com pouco retorno, através da internet.
Encontrei o verbete “Instituto Royal” no Google, mas associado apenas a protestos contra o trato cruel de animais (desde 2012), ou, a partir do dia 18/10/13, associado com a liberação dos beagles. Não encontrei nenhum site nem página, que indicasse a estrutura, função, staff, propósitos e história do Instituto. Quase toda ONG têm pelo menos um pequeno site com todos esses dados, salvo que…
(Procure no Google a palavra “instituto”, e acrescente diversos nomes. Verá que todos os institutos têm um site com uma aparência como a deste aqui.)
O único que encontrei foi uma página de 23 linhas, criada nas coxas e claramente às pressas pouco após a libertação dos cachorrinhos, explicando, superficialmente e sem dados, que o Royal era muito bom e tudo estava nos conformes. Obviamente, essa “informação” só serviu para aumentar as suspeitas.
A maior dúvida era que tipo de coisa era o Royal:
Um instituto dentro de uma estrutura pública, por exemplo, da USP? Ou um instituto dentro de uma estrutura privada, por exemplo, da PUC? Um instituto federal, como o IMPA? Ou Estadual como o BUTANTÃ? Ou Privado como o ETHOS? …. Uma empresa com fins lucrativos? Uma ONG?
Alguém me disse que era uma OSCIP e procurei nos Registros de domínios da Internet. As OSCIPS são um tipo de Organizações semelhantes as ONGs, mas que podem ter parceria com o poder público, e gozam de muitos direitos e outros tantos deveres, alguns dos quais nem sempre são bem usados.Vide.
Eis o que achei no Registro.br
Domínio: institutoroyal.org.br
Servidor DNS: ns11.srv22.netme.com.br
Servidor DNS: ns12.srv22.netme.com.br
Expiração: 2014-07-02
Status: Publicado
domínio: institutoroyal.org.br
titular: Inst. de Ed. p/ Pesq. e Desenv. Inov. tec. Royal
documento: 007.196.513/0001-69
responsável: Silvia Ortiz
país: BR
c-titular: INROY
c-admin: INROY
c-técnico: INROY
c-cobrança: INROY
servidor DNS: ns11.srv22.netme.com.br
status DNS: 29/10/2013 AA
último AA: 29/10/2013
servidor DNS: ns12.srv22.netme.com.br
status DNS: 29/10/2013 AA
último AA: 29/10/2013
criado: 02/07/2009 #5725335
expiração: 02/07/2014
alterado: 25/10/2013
status: publicado
Contato (ID): INROY
nome: Instituto Royal
e-mail: royalinstituto@gmail.com
criado: 25/10/2013
alterado: 25/10/2013
O problema continua. Onde a gente encontra tudo isto: o histórico “científico” do Royal, seus protocolos experimentais, a lista de seus colaboradores e clientes, os produtos realmente aplicáveis que foram viáveis graças a seus testes, os registros de suas experiências longitudinais, etc.
Aliás, é o Royal conhecido no exterior? Qualquer Instituição Brasileira respeitável é conhecida em todo Ocidente, pelo menos, pelos especialistas. Esta pergunta é relevante, porque nem organizações radicais de defesa dos animais, como PETA (vide), incluem o Royal na sua lista de desafetos. Ou seja, para os ecologistas, Royal nem merece aparecer na lista dos vilões.
Formulo em minha própria linguagem uma pergunta que já fez a batalhadora atriz Luisa Mell: Por que ninguém, salvo as elites e as forças repressivas, consegue entrar nesse maravilhoso instituto? (Veja o blog de Luisa aqui).
Aliás, o Royal obteve seu credenciamento pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal) somente em 2013, mais precisamente há poucas semanas. O Deputado Estadual por São Paulo, Fernando Capez fez notar, num incisivo e emocionante discurso na ALESP que, sendo assim, nos anos anteriores de funcionamento as experiências não eram supervisionadas. Mas as coisas estranhas continuam: Em 2012, apesar disso, o Royal recebeu oficialmente R$ 5.249.498,52. Para quê? O lugar onde está instalado o Royal foi declarado para funcionar como canil. (Vide). Estranho, se até poucas semanas atrás a finalidade era outra e não havia fiscalização do CONCEA, então os testes e as torturas de animais poderiam ser aplicados sem qualquer protocolo a verificar.
De acordo com as generosas regras, uma Oscip tem cinco anos para se credenciar. Então, o Royal não estava em infração de acordo com a lei. Mas, seus trabalhos começaram, dizem, em 2005. Então, como é possível que as autoridades do Royal digam ao jornal O Estado de São Paulo, que os ativistas defensores dos animais “fizeram perder 10 anos de pesquisa”? (vide, 2º par.)
Isto significa que, nos primeiros 5 desses 10 anos, o patrimônio genético coletado estava em outros institutos e foi transferido ao criar o Royal, ou que foi acumulado por pesquisadores individuais ou pequenos grupos que se uniram para formar o Royal, ou alguma outra coisa igualmente espúria.
(Foto: Divulgação)
(Foto: Divulgação)
Intermezzo: Ciência e Ética
A ofensiva dos mercadores de animais para tortura tem atraído o mais sujo e infame da mídia, como a famosa revista subvencionada por racistas sul-africanos. Esta, em maior medida, mas também outras, aparentemente menos rasteiras, fazem gozação dos argumentos dos defensores de animais (DA, doravante) como: “Você nunca deu um remédio a seu filho doente? Ele foi testado em animais.” Estas insanidades confundem os leigos, que passam a ter um ódio irracional pelos ativistas, mas a motivação é apenas sede de lucro.
Cuidado! Muitos defensores de animais, especialmente líderes, aconselham calma e mesura aos seus colegas em suas ações, porque a comunidade científica está quase totalmente contra os ativistas. E como se pode pensar que a ciência, que foi a arma maior da racionalidade contra a superstição e o preconceito, possa incorrer nas mesmas provocações? Por exemplo, o ministro de Ciência, Marco A. Raupp, doutorado na University of Chicago sob a orientação de Jim Douglas Jr. com uma tese sobre métodos de Galerkin, uma tese séria, diz coisas como “isto se faz em todo o mundo, não apenas no Brasil”. Isso é um argumento próprio, ou melhor, suficiente para um matemático?
Bom, os DA’s, mas especialmente os de esquerda, como em meu caso (há DA’s de diversos estilos: religiosos, apolíticos e até de direita, como Brigitte Bardot), devemos nos confrontar com uma nova massa poderosa, além dos que têm as armas, o poder institucional e o dinheiro, agora aparecem os cientistas. Nossa! Um caso para que Clark Kent se transforme em Super Homem.
Mas, as coisas não são assim tão lineares. A relação entre ciência e sociedade é um problema complexo que têm séculos de história, começando com o confronto de Marx e Engels com os positivistas e malthusianos. Podemos, pelo menos, fazer uma observação geral até retomar a questão em outro texto.
O que hoje se chama “ciência” (chamada até 1844 Filosofia Natural, quando Wheeler aplicou a ela o termo science) foi filha da velha filosofia especulativa, cujos mitos e divagações combateu desde a época antiga (Epicúreos contra os dogmas Aristotélicos) e a época medieval (Escola de Oxford contra as invencionices de Santo Tomás), até crescer e poder prescindir totalmente da filosofia especulativa, com Galileu, Newton e a brilhante era da razão dos séculos 17 e 18. Quando Newton inicia seus Princípios Matemáticos da Philosophia Natural, deixa claro: a física (filosofia natural) se ocupa da matéria.
Ora, se a ciência está fundada sobre o empirismo e o racionalismo em ação conjunta, como é possível que a grande massa dos cientistas esteja equivocada? Esse é o ponto.
Os cientistas não estão equivocados. Mas nós devemos diferenciar entre racionalidade científica e racionalidade ética. Quando estas estiverem integradas o mundo será uma maravilha, agora podemos reconhecer essa integração nas obras de algumas poucas figuras brilhantes da história da ciência do século XX como Bertrand Russell, Linus Pauling, Noam Chomsky… e muitos seguidores desconhecidos.
Muitas pessoas bem intencionadas, mas que desconhecem o ventre do mundo científico, confundem um fato absolutamente verdadeiro: (a) A ciência é a única forma de conhecimento objetiva, justificável, sistemática, aproximadamente explicativa, e produtora de enunciados crescentemente confirmáveis; com um falso: (b) Os cientistas são atores sociais que usam esse conhecimento para bem do mundo, de maneira ética e generosa.
Esta fábula pintada em (b), minha geração leu quando criança nos livros da moral oficial, mas basta chegar a adolescência para saber que não é assim a coisa real. As provas são esmagadoras: Alguém duvida que o 3º Reich teve de seu lado não apenas engenheiros, médicos e tecnocratas, mas também grandes cientistas, físicos, químicos e biólogos? Quantos prêmios Nobel em física trabalham na produção de bombas atômicas? Seria possível a Guerra química sem especialistas na área? Quantos prêmios Nobel americanos trabalham para o Pentágono, para a NSA, para a CIA? Quantos químicos e biólogos se especializam em drogas usadas em tortura?
A ciência é, grosseiramente falando, um conhecimento verdadeiro. Saber a verdade permite a você gerar ações com alta probabilidade de sucesso. Essas ações, porém, não têm moral própria. É o ator social que as dota de moral. Uma mesma teoria pode servir para construir um mundo melhor, ou para enriquecer donos de laboratórios, fabricantes de armas, exércitos, vigaristas e genocidas.
Então, os cientistas com ética pragmática não são inimigos novos. Eles são apenas executores, numa área da sociedade, dos interesses dos antigos inimigos: os grandes grupos econômicos.
Este foi um intermezzo. Volto ao Instituto Royal.
Dramatis Personae
No rodapé da página que o Royal colocou na Internet institutoroyal.org.br, há um link que promete mais informação. Clicando, aparece um vídeo onde uma senhora fala das virtudes do Royal e da malignidade dos invasores.
Essa senhora é mencionada pela mídia como Silvia Ortiz, mas também aparece em alguns outros lados como Sílvia Barreto Ortiz.
No único lugar onde existem dados que podem dar um perfil de Ortiz é na biblioteca da UNICAMP onde aparece sua dissertação de mestrado. Aí, ela está inscrita como:  Silvia Colletta Barreto da Costa Ortiz.
Mas, seu nome não aparece na plataforma de currículos Lattes. Nesta plataforma, mais de um milhão de pessoas vinculadas com o mundo da ciência inscrevem seus currículos. Qualquer pessoa interessada em atuar na área científica pode fazer isso: doutores, mestres, graduados, estudantes, técnicos, até autodidatas.
Procurando no buscador do Google, encontrei 34 referências a Silva Barreto Ortiz, a maioria vinculada com o incidente dos Beagles. Veja aqui. Nunca vi um cientista, mesmo jovem, ter menos de um milhar de referências. Poderia supor-se que Ortiz tem algum interesse em passar despercebida.
Mas, ela aparece sim no depósito virtual de dissertações e teses da UNICAMP. Este é um procedimento padrão da Universidade, e não depende da vontade do autor. Em 02-12-1996, defendeu uma dissertação de mestrado no Programa de Genética e Biologia Molecular.
Nesse acervo (vide) a busca devolve apenas um resultado, que é uma dissertação de mestrado orientada por Julia K. Sakurada. A dissertação pode ser baixada por qualquer pessoa que preencha um breve cadastro no mesmo site. O trabalho estuda os aspectos genéticos da resistência de camundongos a certo agente patógeno. A dissertação confirma afirmações feitas por Ortiz nos últimos dias sobre a necessidade de usar animais saudáveis em experimentação, para evitar contaminação. Seu mestrado parece atentar à criação de um biotério de animais sãos, como sua atual atividade na USP confirma. Nesta universidade, Ortiz aparece como diretora dos biotérios, mas não temos encontrado nenhum dado relativo a seu doutorado.
No site do Institut Pasteur, de Paris (vide), encontramos 81 referências a “Ortiz”, mas todas elas se referem a pessoas com nomes diferentes de “Silvia” ou qualquer outro da gerente do Royal. Doutorado não significa sabedoria, muito menos ética, mas fico intrigado por saber onde Ortiz fez o seu. Fez?
Silvia Barreto Ortiz é também presidente do COBEA (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal). O colégio aparece em seu estatuto (vide) como uma “sociedade civil, de caráter científico cultural, sem fins lucrativos”. Segundo isso, se sustenta com as mensalidades dos sócios.
Não apenas animal testing
O fato de que Ortiz estivesse vinculada à Unicamp e a USP foi usado como uma credencial de virtude por parte de cientistas e comunicadores. Não pode criticar-se esta adoração quase religiosa pelas pessoas instruídas (que raramente se vê em outros países) numa sociedade onde até ter uma escola primária de mínima qualidade é um grande privilégio, e onde as grandes universidades, especialmente as paulistas, se gabam de seu ranço elitista.
Contudo, apesar de estar num dos setores com menos demanda por parte do capitalismo (lógica matemática e história da ciência), nos 19 anos na Unicamp pude perceber que era difícil encontrar algum colega do campus que não fizesse parte de um convênio, ou tivesse uma consultoria paga através de fundações da mesma universidade, ou super pusesse mais de uma dedicação “exclusiva”, ou que não desse prioridade a seu consultório, escritório, empresa de planejamento ou assessoria, e assim em diante, sem faltar o caso de acúmulo de salários de dois países, embora esses casos fossem raros.
Mas, também a Unicamp tem um histórico sobre experimentação animal muito especial. Pelo menos no único caso que foi divulgado, usaram-se membros da espécie homo sapiens para experimentos com anticoncepcionais Norplant, que produziram danos catastróficos dos quais ninguém foi responsabilizado.
Não é possível dar referências on-line, porque os sites que denunciaram o caso foram desativados pouco depois, por causa de ordens de ninguém-sabe-quem. Era o período entre 1985 e 1993, e a Unicamp coordenou uma ação da qual umas vinte universidades brasileiras se tornaram cúmplices.
A médica Giselle Israel e a socióloga Solange Dacach se arriscaram a fazer uma detalhada pesquisa num universo de 3.544 mulheres das favelas do Rio de Janeiro, até onde os experimentadores chegaram com suas amostras de Norplant. O trabalho das denunciantes foi publicado no Brasil, mas anos depois saiu de circulação. Finalmente, o livro foi publicado em Texas. O leitor encontra uma versão no setor Google books, aqui:
The Norplant Routes-Detours of Contraconception.
Os experimentos em mulheres, pobres e afrodescendentes em sua maioria, foram feitas no Brasil, pois na Finlândia, pátria da matriz, bem como em outros países, as leis proibiam a experimentação em humanos, salvo no caso de voluntários. No caso em apreço, as mulheres nem sabiam exatamente o que estavam recebendo.
A droga não apenas barrou a concepção, como também deixou muitas mulheres estéreis. Além disso, as vítimas sofreram cefaleias (26%), agitação, ansiedade, confusão e agressividade (20%), obesidade (18%) e uns 10% de cistos, queda do cabelo, lesões ao útero e infecções.
Mesmo assim, o coordenador do experimento da Unicamp, o ginecologista LB, afirmava que o Norplant era totalmente confiável.
Nosso atual ministro de ciência talvez teria dito: “Por que tanto alvoroço? Não somos os únicos em fazer experimentos.” Com efeito, o Norplant foi experimentado em 24 países, míseros quintais do 3º mundo habitados por pessoas esfomeadas e marginalizadas, e alguns deles governados por ditaduras.
Não é raro, então, que os cientistas apoiem sem qualquer restrição experiências em animais não humanos, sendo que os experimentos com humanos só podem ser feitos em lugares muito afastados e discretos e isso custa dinheiro.
Quem tem possibilidade de fazer pesquisa de arquivos de jornais, pode ler a reportagem do Jornal do Brasil, caso a página não tenha sido censurada.
LEAL, L. N. Entrevista com Marinete Souza de Farias. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de maio 1997.
Algumas pessoas talvez ainda guardem o livro original
ISRAEL, G; DACACH, S. As rotas do Norplant: desvios da contracepção. Rio de Janeiro: Redeh, 1993.
Na busca que fiz com os indicadores “silvia ortiz” e os expandidos “silvia barreto…”, com ou sem acento, seu currículo não é encontrado. Se quiser experimentar por sua conta, procure “cnpq”. Todo cientista tem interesse em figurar no Lattes, inclusive aqueles que abandonam definitivamente a ciência. Meu currículo, desatualizado, é claro, ainda se conserva após de 7 anos de aposentado da vida científica.
O mistério do Royal
É óbvio que o Royal e seu staff estão tentando se esconder, e isso parece ter sido sua atitude desde o começo. As hipóteses sobre as causas deste mistério podem ser várias, mas todas são da mesma índole.
A “fabricação” de animais sãos, para serem alvo de experimentos e depois descartados, deve ter parecido um negócio original e graúdo aos misteriosos e anônimos fundadores do Royal. Com efeito, tendo como padrão de comparação o trato dos doentes pobres nos hospitais, é evidente que os animais usados em experimentação deviam estar eivados de diversas pestes, e os efeitos neles não poderiam ser apreciados. Então, uma ideia brilhante: laboratórios estrangeiros pagariam muito bem por experimentos feitos em animais saudáveis.
Ora, sendo que o Brasil não assina quase nenhum acordo internacional sobre proteção aos animais e os poucos que por ventura tenha assinado não respeita, esse mistério não seria necessário. Mas há outras razões; algumas são mais sociais, outras mais econômicas.
Uma razão é que o povo brasileiro, com seu singular naturalismo e sua sensibilidade com os animais, promoveria, como aconteceu neste caso, uma reação muito grande se todas as atrocidades ficassem óbvias como estas.
Mas, a quem beneficiam estes atos de sadismo na experimentação com animais?
Se descartarmos as disfunções psiquiátricas de alguns pesquisadores (Vide) fica o grande negócio da produção de animais para experimentos tortuosos.
Com efeito, a realização de numerosos experimentos cruéis onde se mutilam, esquartejam, cegam, queimam e matam milhares de animais, diminui as despesas dos laboratórios, pois é menos caro que experimentos in silico (simulação com computador) ou in vitro (ensaio com culturas).
Estas duas são formas que, combinadas com experimentações reversíveis e indolores em animais não humanos e em voluntários humanos, substituiriam totalmente a prática atual de tortura e extermínio massivo de bichos.
Por sinal, os argumentos que pretendem que as culturas também exigem experimentação animal são falaciosos. O soro fetal bovino usado em muitas culturas, pode ser extraído mediante uma cirurgia com anestesia. Isto se faz com cavalos de raça e touros reprodutores, cuja saúde é cuidada pelos veterinários dos magnatas muito mais que a de qualquer humano. Quanto à extração do feto sob anestesia é, simplesmente, um aborto. Sendo o aborto aceitável em humanos, por que não seria em animais?
Imagino que os principais clientes sejam laboratórios estrangeiros, sendo que, qualquer que seja o grau de civilização de um país, os capitalistas preferem dinheiro e não direitos, sejam animais ou humanos.
Neste sentido, em muitos países de Europa, e inclusive nos EUA, há restrições para o uso de animais em experimentos. O Animal Welfare Act (Laboratory Animal Welfare Act of 1966, P.L. 89-544) restringe o uso de animais de sangue quente, salvo algumas espécies de ratos.
Obviamente, proíbe totalmente a tortura de bichos domésticos, especialmente gatos e cães, que não podem ser utilizados mesmo mortos, por causa da dificuldade para saber de que maneira morreram.
A União Europeia possui diversas restrições de acordo com o país, mas o testing ban de cosméticos é válido em todos eles (vide). É muito provável que o Royal tenha nesses laboratórios de cosméticos, bem como nos dos produtos de limpeza, seus principais fãs. Um especialista não identificado que colaborou no exame dos beagles teria dito que as raspagens de pele em frio era típica de experimentos com cosméticos.
Se os ativistas se informam o suficiente com cientistas sensíveis (que existem) e pressionam seus parlamentares, poderão conseguir que o Instituto seja desativado, e seus responsáveis indiciados por crimes ambientais. É possível que haja pessoas que sabem exatamente o que acontece no Royal, e que, se lhes fosse dada proteção, talvez falassem. Essa é a esperança. E permitirá um grande avanço ético na ciência.
Carlos Alberto Lungarzo é matemático, nascido na Argentina, e mora no Brasil desde sua graduação. É professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), São Paulo, e milita em Anistia Internacional. Tem escritos vários livros e artigos sobre lógica, estatística e computação quântica, mas seu interesse tem sido sempre os direitos humanos.
Fontes: Revista Fórum
ANDA Agência de Notícias de Direitos Animais