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sábado, 31 de janeiro de 2009

CÃES FAREJADORES



Cães da raça Labrador, um dos mais inteligentes na escala canina e ótimo companheiro/a pela docilidade e sociabilidade, tem sido usado em inúmeras outras atividades, tais como no combate ao tráfico de drogas, contrabando, pirataria, etc. além da ajuda humanitária em casos de acidentes e/ou tragédias.

Clicando no título acima veja o vídeo sobre o treinamento de um Labrador preto para o combate à pirataria, na Malásia.
Mais um exemplo de uma feliz parceria entre humanos e cachorros...

SOMOS TODOS RESPONSÁVEIS...



Vale a pena ver esse vídeo, pois somos todos responsáveis pela saúde e qualidade de vida de nosso planeta e todos os seres vivos...

Enviado pelo André Z

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SOBRE A TERNURA...


“Pureza de coração é desejar uma coisa só.”
Foi assim que Kierkegaard a definiu, a pureza. Puro é aquilo em que não há misturas; é uma coisa só.
A paixão é pura porque vive de uma coisa só: a imagem da pessoa amada. Não se trata de uma imagem mais bonita que as outras. É uma única imagem que apaga todas as outras.
O apaixonado só pensa na pessoa amada. Sempre.
Os assuntos que fazem a conversa do cotidiano não lhe interessam. Bem que ele gostaria de falar sobre seu amor, mas se cala sabendo que ririam dele.

Camões, no episódio de Inês de Castro, escreveu que ela caminhava
'Aos montes ensinando e às ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.'

Se não havia ouvidos humanos a quem pudesse dizer o nome que tinha gravado no peito, que as árvores, a relva e as pedras fossem depositárias do seu segredo – um único nome.
[...]

O amor começa quando colocamos uma metáfora poética no rosto da pessoa amada.
A paixão é uma experiência estética. Está ligada à contemplação da beleza.
A pessoa pela qual se está apaixonado é bela. Não é que ela seja bela – é o olhar apaixonado que a torna assim. Porque não vemos o que vemos, vemos o que somos. Uma mulher é bela quando nos vemos belos ao seu olhar. Quem, ao olhar para uma mulher, pensa em sexo não é um apaixonado. O apaixonado sorri ao contemplar a amada dormindo, sem tocá-la. O corpo de lado, o rosto sobre o travesseiro, os olhos fechados, o suave ressonar, a camisola suspensa deixando ver a calcinha – é uma imagem de paz, de tranqüilidade. E um momento de ternura. Há um desejo de acariciá-la, mas a mão se contém; nenhum movimento dele deverá interromper a beleza da cena. Nela, os impulsos sexuais estão proibidos.

O sexo dos adolescentes e dos jovens se parece com furúnculo inchado – túrgido, vermelho, dolorido, que busca se livrar do incômodo. O que se busca não é a experiência amorosa, é rasgar o furúnculo para que o pus saia, trazendo alívio. E o esperma não se parece com pus? Quando o orgasmo acontece, numa mistura de dor e prazer, o furúnculo se esvazia e o corpo fica em paz. Pode até ser que nesse momento o parceiro se esqueça da mulher ao seu lado, vire as costas para ela e durma.
Foi sobre esse sexo que Freud escreveu. Era o único que ele conhecia. Era o sexo que Tomas, personagem de "A insustentável leveza do ser", fazia com suas namoradas. Mas uma delas protestava: “Não quero o prazer, procuro alegria...”
O sexo-furúnculo prescinde da ternura. Tomas não sentia ternura por suas amantes. Elas eram objetos para o alívio de seu sexo-furúnculo. Ele as usava. Não as amava. O amor mora no olhar terno que sorri ao contemplar o rosto da pessoa amada.





Rubem Alves. Cantos do Pássaro Encantado:
sobre o nascimento, a morte e a ressurreição do amor.
Campinas, Ed. Verus, 2008. pp. 24-26.

EU SEI QUE A GENTE SE ACOSTUMA...

Mas não devia...

A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíches porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.
E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.
E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone:
hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer fila para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro,
para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios.
A ligar a televisão e assistir a comerciais.
A ir ao cinema, a engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável.
À contaminação da água do mar. À luta.
À lenta morte dos rios.
E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti

Foto: Vera Chvatal
Chácara Recanto Rural, Valinhos/2008

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

NEBULOSA RARA...


Essa fantástica imagem foi feita pelo Telescópio Hubble e mostra a nebulosa NGC 2818, que faz parte de um aglomerado de estrelas chamado NGC 2818A.
Elas estão a 10 mil anos luz da Terra, na constelação de Pyxi.
Não é fabulosamente maravihoso nosso Universo?
Leia mais clicando sobre o título.