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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O BAMBU CHINÊS


Vera Chvatal

O mistério se deixa vislumbrar sob várias formas, da mesma maneira que Deus nos fala de diversos modos. Através do livro sagrado, dos acontecimentos, dos sonhos, da natureza que se renova constantemente e que está sempre nos presenteando com pérolas de sabedoria.
Assim acontece com a história do bambu chinês, esse fantástico arbusto que nos passa uma lição de vida digna de ser apreciada e colocada em prática, sem mais delongas.

Depois de plantada a semente desse incrível arbusto, nada se vê por aproximadamente cinco anos, exceto um lento desabrochar de um diminuto broto a partir do bulbo. Durante cinco anos, todo o crescimento é subterrâneo e invisível a olho nu. Entretanto, uma maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende vertical e horizontalmente pela terra, está sendo construída. Então, lá pelo final do 5o ano, o bambu chinês cresce até atingir a altura de 25 metros.

Para atingir essa extraordinária altura, resistindo a toda sorte de intempéries, ventos e tempestades que inexoravelmente virão, as fibras do bambu desenvolvem a flexibilidade necessária para se curvar ao chão sem se quebrar. E, naturalmente, retornar à postura original após a passagem desses acontecimentos. É preciso, portanto, muita persistência e flexibilidade para o bambu atingir a sua plenitude.

A história do desenvolvimento do bambu da China pode ser comparada não só ao nosso próprio desenvolvimento, como também aos nossos projetos de vida, desejos de crescimento e até mesmo aos nossos sonhos. Pois estes também se desenvolvem no misterioso subterrâneo de nosso inconsciente, silenciosamente, invisível à nossa própria consciência.

Muitas coisas que nos acontecem se assemelham ao que acontece com o bambu. Como os ventos e tempestades que, às vezes, assolam as nossas vidas trazendo desilusões, frustrações, perdas, sentimentos de abandono, de desamparo, o vazio existencial e tantos outros sofrimentos.

Sem a flexibilidade e a persistência necessárias, esses acontecimentos podem nos fragmentar, despedaçar e podem nos levar à depressão. A palavra depressão, originária do latim de (para baixo) e premere (pressionar), diz que a pessoa está – quanto ao seu estado de ânimo – pressionado abaixo. Curvado como o bambu chinês!

Contudo, a psicologia nos ensina que a depressão abriga dentro dela o trabalho ou a possibilidade de uma elaboração! Do latim elaboratio – onis, elaboração significa um trabalho do espírito que conduz a uma idéia. E a idéia é o princípio de toda e qualquer ação.

Essa história do bambu nos leva a pensar em quanta sabedoria Deus coloca sob nossos olhos, que pode nos levar a um crescimento harmonioso, íntegro, saudável. É preciso ter olhos para ver... Por isso, a palavra do profeta diz: -Feliz o homem e a mulher que se ocupam da sabedoria e que raciocinam com inteligência. (Eclo 14,22).

3 comentários:

Bianca disse...

Olá Vera!

Como ainda não nos falamos: Feliz Ano Novo!!!!!
É uma pena, que nem sempre tenhamos as fortes raízes do bambu, para suportarmos as "tempestades que a vida nos traz".
Um beijo grande
Bianca

Luciano Vermaas disse...

Oi Vera, como faço para contatá-la para uma consulta? Te deixei meu emai, mas vc não escreveu... obrigado, Luciano

Nô ziza disse...

Querida Vera, entre bambus e mitos, você estimula a reflexão. Grande beijo, saudades, da NÔ