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segunda-feira, 7 de julho de 2008

OS ELEFANTES NÃO ESQUECEM...


Vera Chvatal

A dor é inevitável, o sofrimento é opcional!
Essa frase baila sempre na minha cabeça e, não raras vezes, tenho que dize-la não só para mim mesma, mas também para algum paciente atingido pela dor, pela perda, pelo fracasso… situações que inevitavelmente fazem parte dessa difícil e maravilhosa arte que é viver.

Lembrei-me dela ao ver um programa de televisão no Discovery Channel sobre a vida dos elefantes.
Os cientistas acreditam que esses paquidermes sentem emoções e têm alguma compreensão pela morte de seus semelhantes.
Pois esses fantásticos animais que vivem em bandos compostos por fêmeas e filhotes e, esporadicamente, encontram machos adultos em períodos de fertilidade para acasalar, quando encontram ossos de seus pares executam um interessante ritual fúnebre.

Primeiro os elefantes fazem um círculo com seus corpos ao redor dos ossos.
Depois cheiram, tocam com a tromba e juntam-nos, casos estejam dispersos.
Em seguida ficam guardando-os como que fazendo vigília pelo companheiro morto.
E depois de algum tempo seguem caminhada rumo aos seus destinos.

Pois é, não só os humanos têm que lidar com a dor, com a perda e desenvolver rituais para elaborar o sofrimento que isso causa.
Os elefantes, esses inteligentes animais, também têm seu ritual fúnebre para vivenciar a morte e dar continuidade à vida.
Afinal, sentir dor é preciso, mas ficar sofrendo nem tanto!

Por ocasião da trágica ocorrência do Tsunami que varreu vários países asiáticos, matando turistas de várias partes do mundo, além dos próprios moradores dos locais atingidos, na praia de Patanangala, onde existia uma reserva de vida selvagem, nenhum animal foi encontrado morto.
Antes da onda gigante chegar à praia os animais fugiram para lugares mais altos, alertados por ondas sonoras de baixa frequência, produzidas pelo maremoto e imperceptíveis aos ouvidos humanos.
Leopardos, macacos, pássaros, cobras, coelhos e até mesmo os elefantes, que se deslocam a uma velocidade de 40 km/hora, conseguiram escapar, pois estavam conectados ao lugar onde vivem.

Os animais ainda conseguem “ler” os sinais da natureza.
Diferentemente dos humanos, que com tantos pensamentos na cabeça, perderam essa percepção.
Tanto perdemos essa conexão com o nosso habitat, o planeta Terra, que o mesmo já corre perigo de vida, devido ao nosso descaso, ganância, falta de amor...
Precisamos amar e cuidar do nosso planeta, mas antes precisamos amar a nós mesmos, amar o outro, amar a vida, o mundo, o planeta, o universo!
Pois estamos todos interligados e o que acontece a um atinge a todos.
Vamos nos reconectar ao nosso planeta Terra - Gaia!

Um comentário:

Ziza disse...

Vera, que lindo! Desde menina sitno respeito por elefantes. Coloquei seu texto lá. E assim vamos compartilhando... beijos! NÔ