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domingo, 21 de setembro de 2008

MINHA LABRADORA MEL



Pêlo macio cor de mel-dourado, olhos esverdeados, focinho rosado e 45 Kg. de pura meiguice e fidelidade. Nasceu em uma ninhada de nove filhotes da Diana, minha labradora preta e de um macho, também preto que era, na época do acasalamento, mascote de uma tropa do NPOR do Exército de Campinas.

Como tinha pedigree batizei-a com o nome de Melanie Katherine von Chvatal (nome escolhido para o registro de um canil para obtenção do pedigree através do Kennel Clube de Campinas). Desse nome pomposo acabou ficando somente Mel...
Ela não tinha sido minha primeira escolha quando resolvi que ficaria com um dos filhotes da ninhada. O destino a escolheu por mim. Escolhi uma fêmea amarela clarinha e minha filha escolheu uma fêmea cor de chocolate. Para sair do impasse ficamos com ambas.

A Mel foi então doada para o proprietário do macho juntamente com outra fêmea amarela. Ele prometeu que ficaria com as duas. Mas, para minha decepção, uma semana depois de doadas, ele disse que não podia ficar com elas e que as deixara em um pet shop. Peguei o endereço do pet e fui para casa entristecida, pensando nas duas cadelinhas presas em uma gaiola para serem vendidas.
Naquela noite não dormi bem e no dia seguinte fui com minha amiga Terê ao pet decidida a comprar de volta as labradoras. E assim foi feito. Voltei a ficar com os nove filhotes da Diana (1 macho e 1 fêmea pretos, 2 fêmeas chocolates, 1 macho e 4 fêmeas cor de mel). Decidi que só venderia os filhotes para pessoas que eu teria certeza de que os tratariam bem.

Coloquei coleirinhas coloridas nas minhas duas fêmeas e a ninhada toda ficava brincando pelo quintal e jardim de minha casa. Eram tão lindos - e quem já viu um labrador filhote sabe do que estou falando - que a criançada do bairro vinha toda manhã tocar a campainha de casa para ver os ¨filhinhos da Diana¨. E era uma delícia vê-los correndo, brincando e fazendo folia pelo quintal.

Mas, marinheira de primeira viagem, quando anunciei a venda dos filhotes e começaram a aparecer pessoas para vê-los, não separei as minhas e na hora de entregar uma das fêmeas, acabou indo a que eu tinha escolhido, pois ela havia perdido a coleira nas brincadeiras com as crianças. Quando percebi já era tarde para fazer a troca e acabei ficando com a Mel que tinha sido (re)comprada no pet.

Ela era linda, meiga, inteligente e muito amorosa. E arteira também. Um dia prendeu a pata dianteira no pé de ferro de uma mesa, de tal forma, que o ferro teve que ser serrado para soltá-la. Outra vez enrolou-se no cinto de segurança do meu carro e mastigou-o inteirinho. Ela e Bartira comeram a ligação do portão eletrônico, fios do telefone, arrancaram a ¨unha de gato¨ das paredes, destruíram vasos e canteiros do jardim, roeram uma sandália que eu gostava muito, rasgaram meias e toalhas... enfim, tudo corria perigo perto delas. Mas eu as amava, eram minhas ¨meninas¨, e sabia que um dia aprenderiam a se comportar melhor. Essa fase acabaria passando. Era só ter paciência.

Passeávamos todas as manhãs cedinho, antes de eu ir para a faculdade ou atender no consultório e elas corriam cheirando tudo, provocando os quero-quero, procurando capivaras, abocanhando pombas e comendo os abacates que caíam das árvores.

Um dia, correndo no mato Mel desapareceu de minha vista. Caiu em um buraco, disse a Meire, minha ajudante. Aproximei-me e quando olhei para baixo levei o maior susto. Era uma galeria da Sanasa com cerca de 4 ou 5 metros de profundidade. Haviam sumido com a tampa e a galeria ficou escondida, transformando-se numa autêntica armadilha. Meu coração disparou com medo de que ela se aventurasse nas galerias e se perdesse lá em baixo. Fiquei chamando-a carinhosamente e ela me olhava com os olhos esverdeados arregalados, como que esperando que eu fosse tirá-la daquele buraco. Chamamos o Corpo de Bombeiros e ficamos aguardando, mas como estava demorando muito o Sargento Leite, que estava de plantão na guarida dos guardas da Vila Militar, resolveu descer na galeria e trazer a Mel. Ela veio em seu colo, com as patas em volta do pescoço dele, quietinha. Parece que ela sabia que a sua salvação dependia dele. Assim que o sargento a colocou no chão, correu alegremente com Bartira e Diana em direção de casa.

Desde pequena, quando eu chegava à noite da faculdade onde lecionava ela vinha me receber. Com frio ou calor, chovendo ou não, ela saía do canil e vinha fazer festa. Diana e Bartira também vinham... no começo. Mas, ultimamente, só a Mel fazia isso. Esperava eu entrar e então encostava-se no portãozinho do terraço para eu abraça-la e dar-lhe beijinhos na cabeça - de boa-noite - após uns afagos em seu pêlo macio.

Foram seis anos de uma feliz convivência, de passeios, brincadeiras, alegria, companheirismo e de muito, muito carinho. Até que um dia Mel começou a mancar, uma das patas trazeiras inchou de tal forma que nenhum anti-inflamatório conseguiu resolver. Fez RX, depois ultra-som e foi diagnosticado um linfoma. Apos a descoberta do câncer ela viveu exatamente 10 dias até ser sacrificada devido ao intenso sofrimento que a doença estava lhe causando. Morreu em meus braços, suavemente... deixando uma enorme saudades.

Esse relato é minha homenagem a ela, por isso dedico-lhe as iluminadas palavras do cientista Carl Sagan:

Diante da vastidão do tempo e da imensidão do universo é um prazer para mim dividir um planeta e uma época com você.

Obrigada minha muito amada Mel!
Obrigada ¨Tia Maira¨pelo carinho e cuidados dedicados à Mel.

Vera Chvatal

Fotos Vera Chvatal
Clique no título para ver/ouvir "Quando chega a hora" - Lucius por Zibia Gasparetto

15 comentários:

andre disse...

http://www.youtube.com/watch?v=5cZTibP9ubw

"Quando Chega a Hora" - Lucius por Zibia Gasparetto

Dedico ela para a MEL..


http://www.youtube.com/watch?v=l4woaSWxJxc&feature=related

arca de noé 1 - são francisco [ney matrogrosso]

Esta musica deixo como oração aqueles que tem o coração partido pela perda de nossos irmãos TERRAQUEOS inumanos Que tudo se resolva da melhor forma..
com certeza São FRANCISCO olhara por ela e por nos..

Vera linda a sua homenagem..
Bjão
z
z

Michele disse...

Oi Tia..

Imagino a dor de perder a mais doce das meninas..
Sentiremos mta falta dela.
Adorei tudo que esta escrito na homenagem e comecei a chorar, pois apesar de não vê-lás sempre, as AMO d mais.

Melzinha amor eterno.

Saudades.

Michele

Anônimo disse...

Vera, meus sentimentos... NÔ

Bruna disse...

Inevitavel não ficar triste com a noticia!Eu,a Luna e o Ziggy sentimos muito por vc e por ela, a Mel era uma cachorra incrivel, de uma meiguice incomparavel.A mais quetinha das três, e talvez a mais carinhosa, ficava sempre perto de nós na praça...O Ziggy sentirá muita falta de umas das 3 de suas primeiras amigas, a Luna vai procurar por aquela cachorrinha parecida com ela que ela gostava tanto de encher o saco, e eu sempre vou olhar pra vocês chegando na praça e vou me lembrar com muito carinho da Mel.
Imagino como deve ser dificil Vera, esses bichinhos de 4 patas são com certeza nossos maiores companheiros e perde-los deve ser tão dificil como perder um parente bem proximo.Que Deus mande muita força pra você.Beijos com carinho Bruna

Anônimo disse...

Vera, Compartilho com seu sentimento. Imagine as mães pelos filhos. V. a teve em s/ cia, cuidou, amou e soube despedir-se. Agradeça a Deus por ter-lhe dado esta sabedoria. Virão outras provas mais, para completar seu entendimento. Bjs. Be

Anônimo disse...

Vera, Compartilho com seu sentimento. Imagine as mães pelos filhos. V. a teve em s/ cia, cuidou, amou e soube despedir-se. Agradeça a Deus por ter-lhe dado esta sabedoria. Virão outras provas mais, para completar seu entendimento. Bjs. Be

Anônimo disse...

Vera,

Meus sentimentos pela morte da sua cachorra!..

Beijos,

Zé Válter

Anônimo disse...

Bom dia Vera!

É uma mensagem de amor e afeto muito linda... Meus sentimentos por você....
Grande Abraço
Irene

Anônimo disse...

Vera,

Li sua homenagem a Mel. Sinto muito pelo q aconteceu com ela. Nós que amamos esses tão sinceros seres que nos rodeiam sabemos o que significa uma perda com essa. Mas que bom tb q vc teve a oportunidade de recebê-la em sua vida, não é mesmo?

Um grande abraço,

Raïssa Castro

Anônimo disse...

que pena vera! eu e o caio lamentamos muito a morte dela....
beijo
claudia

Anônimo disse...

Vera,
Deixou um registro muito bonito.
Marô

Anônimo disse...

Vera boa noite!
Histórias de amor também tem seu fim. Lindo seu depoimento à Mel.Obrigada por compartilhar.
Beijo.
Janaina

Francisco Castro disse...

Olá, gostei muito do seu blog. Ele é muito bom.

Parabéns!

Um abraço

Eloá disse...

Vera,

Me emocionei ao ler seu texto contando a história das Meninas desde filhotinhas... Sei do amor que vc tem por elas, por isso imagino a tristeza que te foi vê-la partir.
Por outro lado, fiquei feliz ao te ver na sexta, já mais animada, menos sofrida pela perda.
Como você mesma se descreveu: é uma mulher guerreira! E eu te admiro muito, pela força, pela sensibilidade e pela alegria.

Um grande abraço.

Swásthya!

Anônimo disse...

Oi Vera minha amiga...

Estou aqui em lagrimas e com o coracao pequeno... enao consigo me perdoar por nao ter aberto meu gmail antes.
Estava achando estranho nao ter mais mensagem sua no hotmail...mas como comecei a trabalhar (depois te conto), desde deia 11 de agosto, foram duas semanas de curso e logo em seguida comecei...e desde entao nunca mais abri meu gmail... foi uma fase de adaptacao muito intensa e tive que abrir mao de varias coisas entre elas ficar muito tempo em computador....

Fui no seu blog e vi a homenagem linda que vc fez a ela...

Fico aqui relembrando as inumeras lambidas-beijos dela...a carinha tao meiga... a disputa delas 3 por carinho e atencao...penso na Mamy Didi e na irma Bartira...como devem estar sofrendo... posso ver a cena delas pedindo pra vc abrir o porta mala do carro...
Posso imaginar pra vc e pra elas o primeiro dia saindo pra praca sem a terceira menina....
E sua forca em ter ela nos bracos ,aninhando pela ultima vez...
Vc foi forte... ela levou vc como ultima imagem ... e vai ficar pra sempre perto de vc...

Sempre vou ter as lambidas dela como lembranca, o olhar mais que meigo, angelical...as puladas encima de mim...tenho fotos que me fazem relembrar isso agora...

Ela teve 6 anos de pura felicidade com vc Vera...disso vc pode ter certeza... e e mais um anjo de 4 patas que mais tarde reencontraremos...

Me perdoe nao ter visto antes...mas foi mesmo como te expliquei ali encima...

Mas pelo menos ela so sofreu 10 dias e teve todo o cuidado possivel.

Hoje trabalho de 1700 as 2230 e quando chegar vou te ligar pois ainda temos 5 hrs de diferenca...

Te desejo muita forca na saudade da Mel Katherine Von Chvatal...que ela esteja em paz agora...

bjs com carinho e saudade
Yeda