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quinta-feira, 5 de março de 2009

NINGUÉM ESTÁ LIVRE DA RAIVA...


Vera Chvatal


Um dos sentimentos mais fortes do ser humano, a raiva tem sua origem no ego, aquela porção dentro de nós que sempre quer levar a melhor numa discussão, que não pode jamais deixar uma ofensa sem resposta e que se preocupa demais com o julgamento dos outros a nosso respeito.
A raiva está associada à impotência e à frustração. Costuma irromper quando nosso desejo é contrariado, quando nos sentimos desprezados, diminuídos ou desvalorizados. E não existe nada mais destrutivo que um sentimento de raiva não controlado, pois pode levar à violência e ao abuso verbal ou emocional. Geralmente traz dor e sofrimento para aquele que a está sentindo e para aquele(es) sobre quem ela está sendo expressada. Mas a raiva não é só isso. Ela é também um mecanismo de defesa – conjunto de operações efetuadas pelo ego frente aos perigos que vêm do id, do superego e da realidade externa. E as condutas defensivas não são exclusivamente da patologia, normalmente elas contribuem para o ajustamento, adaptação e equilíbrio da personalidade. Nesse sentido a raiva é importante, pois sem ela permitiríamos que os outros passassem, a bel prazer, por cima de nossos desejos.
Entretanto quando esse sentimento é freqüente e incontrolável, torna-se um problema. No momento da explosão, os hormônios se desequilibram e a pressão arterial aumenta, assim como os batimentos cardíacos. A corrente sanguínea é inundada por adrenalina, que provoca a contração dos vasos sanguíneos e pode levar à hipertensão e ao infarto.
Além disso, a raiva também libera de duas a cinco vezes mais cortisol, o hormônio do estresse, que é altamente tóxico ao corpo. Essa substância pode desencadear sérios problemas de saúde, como ataque cardíaco, câncer, derrame, diabetes e depressão. Assim sendo, é preciso aprender a controlar a raiva, impedindo-a de atuar sobre nós de forma irracional.
Reconhecer que estamos com raiva é uma forma de começarmos a lidar melhor com esse sentimento. Para isso é preciso uma atenção permanente e um exercício de observação interior minucioso para nos ajudar a controlar a raiva e a analisar exatamente, a cada momento, qual a verdadeira razão que se esconde por trás de nossa raiva. Pois é muito comum jogarmos a culpa sobre os outros pelas nossas explosões de raiva, negando a nossa responsabilidade sobre o nosso próprio comportamento.

Eis algumas dicas para aprender a controlar a raiva:
1. Fazer exercícios respiratórios inspirando vigorosamente pelas narinas e soltando o ar lentamente. Repita algumas vezes até sentir-se melhor.
2. Exercícios físicos para desfazer a tensão e relaxar, tais como caminhada, corrida, dança, ajudarão a liberar o excesso de energia provocado pelo aumento da adrenalina no sangue.
3. Gritar duas ou três vezes, não se esquecendo de fechar a porta e colocar um travesseiro sobre a boca para não assustar familiares e vizinhos. Isso compensa, de alguma forma, a vontade de dizer palavras pesadas para o ofensor.
4. Conversar com alguém, um(a) amigo(a), familiar, terapeuta. Falar sobre o que provocou a raiva ajuda a colocar as coisas sob uma nova perspectiva, traz alivio, esfria a cabeça e aquieta o coração.
5. Não é errado sentir raiva, mesmo de quem amamos. Por isso não tente engolir a raiva entupindo-se de doces, chocolates, pães ou bolachas; essa compensação só vai aumentar o sentimento de raiva e culpa.
6. Contar até dez, vinte ou até cem! Isso dará tempo para a estimulação emocional arrefecer.
7. Se tem alguma religião, é espiritualizado(a), ore, reze, peça paciência, compreensão e tolerância para ajudar a elaborar e superar o sentimento de raiva, frustração e impotência.
8. Procure analisar o porque, como e quando você fica com raiva e tente evitar e/ou controlar as circunstâncias que criam essas situações.
9. Quando estiver relaxado(a) exponha a sua raiva, sem brigar, para quem a provocou e tente ver sob a ótica dele(a).
10. Perdoe a si próprio(a) e ao outro(a), lembrando-se de que ninguém é perfeito!

Todas essas atitudes ajudarão a evitar os efeitos danosos da raiva e da irritabilidade, preparando para atitudes mais amáveis e saudáveis.
Acredite nisso, acredite em você! Você consegue!

terça-feira, 3 de março de 2009

ORIGEM DA PALAVRA MINEIRA "UAI..."



Na Revista do Correio, do jornal Correio Braziliense, de 18/01/2009, Marcio Cotrim publicou resposta a um pedido de leitor sobre a origem da expressão popular dos mineiros UAI:


"Segundo o odontólogo Dr. Silvio Carneiro e a professora Dorália Galesso, foi o presidente Juscelino Kubitschek que os incentivou a lhe pesquisar a origem.
Depois de exaustiva busca nos anais da Arquidiocese de Diamantina e em antigos arquivos do Estado de Minas Gerais, Dorália encontrou explicação provavelmente confiável.
Os Inconfidentes Mineiros, patriotas mas considerados subversivos pela Coroa Portuguesa, comunicavam-se através de senhas, para se protegerem da polícia lusitana.
Como conspiravam em porões e sendo quase todos de origem maçônica, recebiam os companheiros com as três batidas clássicas da Maçonaria nas portas dos esconderijos.
Lá de dentro, perguntavam: - quem é?
E os de fora respondiam: UAI - as iniciais de União, Amor e Independência.
Assim, mediante o uso dessa senha a porta seria aberta aos visitantes.
Conjurada a revolta, sobrou a senha, que acabou virando costume entre as gentes das Alterosas. Os mineiros assumiram a simpática palavrinha e, a partir de então, a incorporaram ao vocabulário cotidiano, quase tão indispensável como tutu e trem.
Uai, sô..."


Recebido por e-mail da amiga Yeda

segunda-feira, 2 de março de 2009

PENSAMENTO DO MÊS: MARÇO/2009


Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar
em raiva,
ou em rima.

Paulo Leminski




Foto Vera
Labradores: Diana e Milo

STAND BY ME














Clique no título acima e ouça um dos melhores vídeos de música!
Playing For Change: Song Around the World "Stand By Me"
.




Enviado pelo Jorge Nunez

domingo, 1 de março de 2009

FORUM SOCIAL MUNDIAL – Um outro mundo é Possível



Belém, Pará, Janeiro 2009-03-01


Neste texto, belíssimo, apresentado no World Social Forum, Leonardo Boff nos alerta para a necessidade de buscarmos um novo começo, resgatar as utopias esquecidas, reescrever o nosso sonho comum...




"As tradições nativas falam do ser humano como jardineiro.
Conforme ensinam tais tradições o ser humano deve cultivar a Terra com cuidado e senso de justiça e estética. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é nosso dever sagrado. Devemos lançar um novo olhar sobre a realidade, adotar um novo paradigma de relacionamento com todos os seres.

O universo caminhou 15 bilhões de anos para produzir o planeta que habitamos, essa admirável obra que nós, seres humanos, recebemos como herança, para cuidar como jardineiros e preservar como guardiões fiéis.

Somos todos interdependentes uns dos outros, coexistindo no mesmo cosmos e na mesma natureza. Uma mesma Fonte alimenta a todos, misteriosa e inominável, sustenta e confere vida a tudo que existe. O mesmo Sopro permeia toda a existência. A vida é milagre tão belo quanto curto, que deve ser cultivado como as flores mais belas.

Como nunca antes na história o destino comum nos conclama a buscar um novo começo.
Promover a ecologia do cuidado, que zela pelos interesses de toda a comunidade de vida. Coexistir com respeito, cooperação e harmonia com os demais moradores deste pequeno planeta: - animais, vegetais, seres humanos.

A interculturalidade, o encontro com outras tradições, outras culturas, enriquecem a nossa visão do mundo e da vida. Ter olhos para os que são diferentes. Ter ouvidos para a sua voz, as suas melodias, canções, histórias...

Habitamos todos uma Casa comum. Temos uma origem comum e, certamente, um mesmo destino comum. As tantas flores com suas cores e formas distintas. Diferenças superficiais, pois a terra que as nutre e sustenta é uma. Um único Sopro as anima, conferindo-lhes significados, sentido e vida.

O desafio do tempo presente é o de resgatar as utopias esquecidas, reescrever o nosso sonho comum. Um único Sopro, uma única Alma, uma mesma esperança. E em meio à agitada rotina da vida moderna, encontrar tempo para refletir sobre as perguntas metafísicas...

Ter ouvidos para a voz que fala em nós, que nos convoca para a prática do bem...
e que diante de uma noite estrelada nos pergunta:
- Quem sustenta e se esconde atrás daquelas estrelas?...

A voz que, quando diante de um recém-nascido, com respeito e admiração pergunta:
- Quem foi que produziu esta vida?...
- Onde é que, no olhar da criança, começa o céu e acaba a terra?”

Para mais informações sobre o World Social Forum clique no título acima
Para saber mais sobre o teólogo Leonardo Boff entre em seu site: www.leonardoboff.com.br