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quarta-feira, 9 de março de 2011

ENSINANDO A TRISTEZA



Meus amigos, com a melhor das intenções,  têm se queixado, dizendo que há muita tristeza no intervalo das coisas que escrevo.  Essa observação mexeu comigo. Fez-me lembrar  uma crônica que escrevi  faz muito tempo. Era sobre a poeta Helena Kolody que eu acabara de descobrir. Seus poemas não são alegres. São alegres-tristes. 

Dentre os escritos da Helena Kolodi encontrei esse mínimo poema: “Buscas ouro nativo entre a ganga da vida. Que esperança infinita no ilusório trabalho...Para cada pepita, quanto cascalho”. 

Gosto de  ler as Escrituras Sagradas. Mas leio como quem garimpa ouro.  Para se encontrar uma pequena pepita quanto cascalho há de se jogar fora!  Acho até que foi arte de Deus... Foi ele mesmo que misturou cascalho e pepitas,  alegria e tristeza, prá separar os maus dos bons leitores. Os maus leitores não sabem separar as pepitas do cascalho... 

Nas minhas garimpagens pelas Escrituras Sagradas  encontrei essa pepita: “Melhor é a tristeza que o riso. Porque com a tristeza do rosto se faz melhor o coração.” Esse texto me apareceu na memória quando eu pensava sobre uma pergunta estranha que me perseguia: “Pode-se ensinar compaixão?” Essa pergunta surgiu quando minha neta, sem razão alguma, deixou a mesa no meio do almoço e foi para a sala da televisão chorar. Fui atrás dela para entender a razão do seu choro. Ela me disse: “Vô, quando eu  vejo uma pessoa chorando o meu coração fica triste  junto ao coração dela...”  

Sem o saber a menina havia definido o que é a compaixão. Eu não disse. Quem disse foi a Adélia, que “ a poesia é pura compaixão”. A poesia é triste. E acrescentou, prá ninguém entender, “por prazer da tristeza eu vivo alegre”.

Haverá uma pedagogia da tristeza? Estranho pensar que um professor, ao iniciar o seu dia, possa dizer para si mesmo: “Vou ensinar tristeza aos meus alunos...” Eu mesmo nunca havia pensado nisso. E todos os terapeutas, não importando a sua seita, em última instância estão envolvidos numa batalha contra a tristeza. E agora eu digo esse absurdo, que tristeza é prá ser ensinada, prá fazer melhor o coração.

A poesia nasce da tristeza. Alberto Caeiro era amigo da sua tristeza:  “Mas eu fico triste como um por de sol  quando esfria no fundo da planície e se sente a noite entrada como uma borboleta pela janela.  E concluiu:  “Mas minha tristeza é sossego porque é natural e justa e é o que deve estar na alma...”  Num outro lugar Fernando Pessoa escreveu algo mais ou menos assim: “Ah! A imensa felicidade de não precisar de estar alegre...”  

Existe uma perturbação psicológica ainda não identificada como doença. Ela aparece num tipo a que  dei o nome de “o alegrinho”. O alegrinho é aquela pessoa que está, o tempo todo, esbanjando alegria, dizendo coisas engraçadas, e querendo que os outros riam. Ele é um flagelo. Perto dele ninguém tem a liberdade de estar triste. Perto dele todo mundo precisa estar alegre... Porque ele não consegue estar triste, o alegrinho não consegue ouvir a beleza dos noturnos de Chopin,   nem sentir as sutilezas da poesia da Cecília Meireles e nem gozar o silêncio triste da beleza do crepúsculo.  Sempre alegrinho, na sua alma não há espaço para sentir a compaixão. Para haver compaixão é preciso saber estar triste. Porque compaixão é sentir a tristeza de um outro.

Houve um menino que chorou ao ler a estória do O patinho que não aprendeu a voar. Aconteceu assim: o seu pai comprou o livro esperando que ele fizesse o seu filho dar muitas risadas. Voltou no dia seguinte muito bravo. Trazia o livro na mão, para devolvê-lo. Ao invés de dar risadas, ao final da estória o seu filho pôs-se a chorar. A estória é, de fato, triste. Eu a escrevi para o meu filho que estava passando por uma crise de vagabundagem. O seu prazer nas vagabundagens era tanto que ele não queria saber de aprender. O patinho também não queria saber de aprender. Não pode voar com seus irmãos quando chegou a estação das migrações.

O menininho tinha razões para chorar? Não. As razões do seu choro não eram dele. Eram do patinho. Ele sofria o sofrimento do patinho. O seu coração batia junto ao coração do patinho. Mas o patinho não existia. Era apenas um personagem inventado de uma estória do mundo do “era uma vez”. E o menino sabia disso. Mas, a despeito disso, ele chorava. Aqui está um dos grandes mistérios da alma humana: a alma se alimenta com coisas que não existem.

Eu havia levado minha filha de seis anos para ver o E.T. Ao fim do filme ela chorava convulsivamente. Jantou chorando. Resolvi fazer uma brincadeira: “Vamos no jardim ver a estrelinha do E.T!”  Fomos, mas o céu estava coberto de nuvens. Não se via a estrelinha do E.T.  Improvisei. Corri para trás de uma árvore e disse: “O E.T. está aqui!” Ela me disse: “Não seja tolo, papai. O E.T. não existe!  Contra ataquei: “Não existe? E porque você estava chorando se  ele não existe?” Veio a resposta definitiva: “ Eu estava chorando porque o E.T. não existe...”

Volto então à pergunta que fiz sem saber a resposta. O menino chorou ao ler a estória do patinho. Mas o patinho não existia. Minha filha chorou ao ver o filme do E. T. Mas o E.T. não existia. Pensei então que um caminho para se ensinar compaixão, que é o mesmo caminho para se ensinar a tristeza, são as artes que trazem à existência as coisas que não existem: a literatura, o cinema, o teatro. As artes produzem a beleza. E a beleza enche os olhos dágua... 

Meus amigos podem ficar tranqüilos. Sou triste sim. Mas minha tristeza “é natural e justa e é o que deve estar na alma...” Volto às Escrituras Sagradas:  “Com a tristeza do rosto se faz melhor o coração.” É isso que desejo ensinar aos meus alunos...

Rubem Alves

Foto Vera / Entardecer em Angra dos Reis, 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER: "A rainha que estragou a festa do rei"

Para minha amiga Vasti, 
e para todas as mulheres que não se calam diante dos desafios neste vasto mundo.
 
  

A rainha que estragou a festa do rei (Ester 1-2.2)
 
Conta-se na Bíblia a história de uma mulher muito corajosa que um dia cansou de se submeter às ordens do rei Assuero. Depois de 7 dias de banquete o coração do rei estava alegre do vinho, e este ordenou que trouxessem a rainha Vasti para a festa com sua coroa real, para mostrar a todos os convidados a sua formosura. A rainha que também estava dando um banquete para as mulheres se negou a comparecer na festa. O rei ficou furioso e chamou os sábios da corte para saber o que se fazia quando uma mulher desobedecia a uma ordem do rei. 

Os sábios e entendidos da lei, logo se deram conta do que podia acontecer e disseram: Quando as mulheres dos príncipes e do povo souberem da atitude da rainha, todas irão proceder de igual modo. E diante do eminente perigo aconselharam o rei que destituísse a rainha e mandasse uma carta para todas as 127 províncias, confirmando que cada homem é senhor em sua casa. Passados alguns dias depois da festança, o rei se deu conta do que havia feito com Vasti e sentiu saudades. Seus assessores percebendo o que passava na cabeça do rei mandaram trazer moças jovens e bonitas para que ele escolhesse uma nova rainha. Ester, que não declarou a sua descendência, foi escolhida porque agradou aos olhos do rei.
 
E assim Vasti saiu da história, sem honra e sem memória. Nada mais há escrito sobre ela, a não ser os poucos versículos onde os fatos se desenrolaram no livro de Ester. Mas seu nome e seu gesto nos permitem vislumbrar quem era essa rainha. Uma mulher que além de bonita, sabia se impor diante do rei, uma mulher corajosa que não se importava com o título que o rei lhe concedera apenas por causa da sua beleza, uma mulher que  cansou de ser objeto do desejo nas mãos do rei e seus súditos.
 
Dizem os especialistas em Bíblia que esta história nunca aconteceu, mas foi contada em forma de novela, para animar a caminhada de fé do povo. Se esse foi o motivo, então podemos aprender com Vasti e refletir sobre o que acontece com as mulheres nos dias de hoje. 

O Dia Internacional da Mulher é lembrado em todo o mundo por causa da transgressão de 129 mulheres que ao reivindicarem melhores condições de trabalho numa fábrica em Nova Yorque  em 1857 morreram queimadas. Foi a maneira de se afirmar que o homem é senhor em sua casa e em seu trabalho. Apesar da luta permanente das mulheres e da sua presença em todos os setores da sociedade, ainda hoje, convivemos com situações semelhantes as de Vasti. Mulheres são silenciadas em casa, na rua e no trabalho sob ameaças de perder o emprego, os filhos, e ainda, com a falsa segurança de ter um homem no lar.
 
Dados recentes mostram que a Lei Maria da Penha ainda não é conhecida, nem aplicada. Enquanto isso as mulheres são silenciadas, seja pela ameaça e pela força dos que mantém o poder em casa ou fora dela, seja pela indústria e comércio da beleza, que estimula o culto ao corpo. Com isso o dia 8 de março está se tornando um dia de festa, de homenagens, camuflando a verdadeira história de luta das mulheres. Vejamos: em relação aos empregos a mulher ainda ganha menos que o homem, continua o assédio sexual e moral, continuam as mortes violentas de mulheres sem fazer distinção de classe social, continua a exploração e o trafico de mulheres para outros países onde serão mantidas como prostitutas e escravas, e a lista pode ser acrescentada a cada dia, dentro e fora de casa.
 
Por isso, apesar de silenciarem Vasti, a história nos mostra que em todos os tempos e lugares, as mulheres precisam continuar lutando para fazer valer o direito à vida, sua e de seus semelhantes. Isso nos mostra o livro de Éster, a rainha que substituiu Vasti e que lutou para que a verdade e a justiça prevalecesse. A importância do dia 8 de março está no  despertar da consciência da mulher para que nenhuma venha ser objeto de consumo, de beleza, de exploração sexual, comercial...
 
A história e a luta das mulheres continua, na esperança de que um dia nenhuma mulher precise silenciar diante do marido, do patrão, na Igreja, e onde quer que seja, porque os direitos de homem e mulher serão iguais, e nesse dia a paz e a justiça se beijarão começando dentro de nossas casas, e depois alcançarão as ruas e as praças, e os todos os locais de trabalho e lazer. Porque mulher e homem foram criados para viverem em paz como colaboradores de Deus na criação.


Neusa Tetzner
Pastora CELVA - SP
Curso Gênero CESEP

domingo, 6 de março de 2011

VAMOS POR A BOCA NO TROMBONE - DIA 12 DE MARÇO DE 2011

MERECE REFLEXÃO!

 


Será que Adianta?

Corre uma mensagem na Internet chamando o povo a se manifestar nas ruas. Voce acha que adianta?

Por Nestor Sartoretto

Se apenas metade das mordomias, discasos, abusos, cabides de empregos, citados abaixo, tiverem redução de 50% - Nosso Pais seria Primeiro Mundo, fácil!!!!

O Povo não pode e não deve ficar quieto e parado!!!


12 de Março de 2011 - Um milhão de pessoas na Avenida Paulista pela demissão de toda a classe política

Este e-mail vai circular hoje e será lido por centenas de milhares de pessoas. A guerra contra a chulisse, está a começar. Não subestimem o povo que começa a ter conhecimento do que nos têm andado a fazer, do porquê de chegar ao ponto de ter de cortar na comida dos filhos! Estamos de olhos bem abertos e dispostos a fazer -quase-tudo, para mudar o rumo deste abuso.

Todos os ''governantes'' [a saber, os que se governam...] do Brasil falam em cortes de despesas - mas não dizem quais - e aumentos de impostos a pagar.

Nenhum governante fala em:

1. Reduzir as mordomias (gabinetes, secretárias, adjuntos, assessores, suportes burocráticos respectivos, carros, motoristas,14.o e 15.o salários etc.) dos poderes da República;

2. Redução dos deputados da Assembleia da República e seus gabinetes, profissionalizando-os como nos países a sério. Reforma das mordomias na Assembleia da República, como almoços opíparos, com digestivos e outras libações, tudo à custa do pagode;

3. Acabar com centenas de Institutos Públicos e Fundações Públicas que não servem para nada e, têm funcionários e administradores com 2º e 3º emprego;

4. Acabar com as empresas Municipais, com Administradores a auferir milhares de reais/mês e que não servem para nada, antes, acumulam funções nos municípios, para aumentarem o bolo salarial respectivo.

5. Por exemplo as empresas de estacionamento não são verificadas porquê? E os aparelhos não são verificados porquê? É como um táxi, se uns têm de cumprir porque não cumprem os outros?s e não são verificados como podem ser auditados?

6. Redução drástica das Câmaras Municipais e Assembleias Municipais...;

7. Acabar com o Financiamento aos partidos, que devem viver da quotização dos seus associados e da imaginação que aos outros exigem, para conseguirem verbas para as suas atividades;

8. Acabar com a distribuição de carros a Presidentes, Assessores, etc, das Câmaras, Juntas, etc., que se deslocam em digressões particulares pelo País;

9. Acabar com os motoristas particulares 24 h/dia, com o agravamento das horas extraordinárias... para servir suas excelências, filhos e famílias e até, os filhos das amantes...

10. Acabar com a renovação sistemática de frotas de carros do Estado;

11. Colocar chapas de identificação em todos os carros do Estado. Não permitir de modo algum que carros oficiais façam serviço particular tal como levar e trazer familiares e filhos, às escolas, ir ao mercado a compras, etc;

12. Acabar com o vaivém semanal dos deputados e respectivas estadias em em hotéis de cinco estrelas pagos pelos contribuintes;

13. Controlar o pessoal da Função Pública (todos os funcionários pagos por nós) que nunca está no local de trabalho. HÁ QUADROS (diretores gerais e outros) QUE, EM VEZ DE ESTAREM NO SERVIÇO PÚBLICO, PASSAM O TEMPO NOS SEUS ESCRITÓRIOS DE ADVOGADOS A CUIDAR DOS SEUS INTERESSES....;

14. Acabar com as administrações numerosíssimas de hospitais públicos que servem para garantir aos apadrinhados do poder - há hospitais de cidades com mais administradores que pessoal administrativo... pertencentes ás oligarquias locais do partido no poder...

15. Acabar com os milhares de pareceres jurídicos, caríssimos, pagos sempre aos mesmos escritórios que têm canais de comunicação fáceis com o Governo, no âmbito de um tráfico de influências que há que criminalizar, autuar, julgar e condenar;

16. Acabar com as várias aposentadorias por pessoa, de entre o pessoal do Estado e entidades privadas, que passaram fugazmente pelo Estado.

17. Pedir o pagamento dos milhões dos empréstimos dos contribuintes, cpmf, precatórios;

18. Criminalizar, imediatamente, o enriquecimento ilícito, perseguindo, confiscando e punindo os biltres que fizeram fortunas e adquiriram patrimônios de forma indevida e à custa do contribuinte, manipulando e aumentando preços de empreitadas públicas, desviando dinheiros segundo esquemas pretensamente "legais", sem controle, e vivendo à tripa forra à custa dos dinheiros que deveriam servir para o progresso do país e para a assistência aos que efetivamente dela precisam;

19. Não deixar um único malfeitor de colarinho branco impune, fazendo com que paguem efetivamente pelos seus crimes, adaptando o nosso sistema de justiça a padrões civilizados, onde as escutas VALEM e os crimes não prescrevem com leis à pressa, feitas à medida;

20. Impedir os que foram ministros de virem a ser gestores de empresas que tenham beneficiado de fundos públicos ou de adjudicações decididas pelos ditos.

21. Fazer um levantamento geral e minucioso de todos os que ocuparam cargos políticos, central e local, de forma a saber qual o seu patrimônio antes e depois.

22. Pôr os Bancos pagando impostos.

VAMOS ADERIR! REPASSEM AOS SEUS CONTATOS! 
DIA 12 DE MARÇO DE 2011 É O DIA DE BOTAR A BOCA NO TROMBONE!

12 DE MARÇO DE 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

MAUS TRATOS A ANIMAIS


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Qualquer ato de maus-tratos envolvendo um animal deverá ser denunciado na Delegacia de Polícia. Aconselhamos que os casos de flagrante de maus-tratos e/ou que a vida de animais estejam em risco, acione a Polícia pelo 190 e aguarde no local até que a situação esteja regularizada. A Lei 9605/98 (Lei de Crimes Ambientais) prevê os maus-tratos como crime de comina as penas. O decreto 24645/34 (Decreto de Getúlio Vargas) determina quais atitudes podem ser consideradas como maus-tratos.

Sempre denuncie os maus tratos. Essa é a melhor maneira de combater os crimes contra animais. Quem presencia o ato é quem deve denunciar. Deve haver testemunha, fotos e tudo que puder comprovar o alegado. Não tenha medo! Denunciar é um ato de cidadania. Ameaça de envenenamentos, bem como envenenamentos de animais, também podem e devem ser denunciados.
 
Exemplos de Maus-Tratos
- Abandonar, espancar, golpear, mutilar e envenenar;
- Manter preso permanentemente em correntes;
- Manter em locais pequenos e anti-higiênico;
- Não abrigar do sol, da chuva e do frio;
- Deixar sem ventilação ou luz solar;
- Não dar água e comida diariamente;
- Negar assistência veterinária ao animal doente ou ferido;
- Obrigar a trabalho excessivo ou superior a sua força;
- Capturar animais silvestres;
- Utilizar animal em shows que possam lhe causar pânico ou estresse;
- Promover violência como rinhas de galo, farra-do-boi etc..


Art. 32º
Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena: detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal.

Fonte: PEA