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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

VOCAÇÃO PARA A FELICIDADE





Carlos Drumond de Andrade

Não escreverei versos chorosos cantando tristezas infinitas, 
amores impossíveis, saudades dolorosas, 
paixões trágicas e não correspondidas.
Tenho a vocação para a felicidade.
Ser feliz não me traz sentimento de culpa. 
Não preciso da tristeza para
justificar a inutilidade da vida. 
Não preciso morrer e ir ao céu para
encontrar a felicidade.
Quero-a e tenho-a neste espaço terreno do aqui e do agora.
A felicidade, tal e qual, o amor, está dentro de mim, 
e transborda em ternuras, em melodias, em carinhos, 
em alegrias, em cantos e encantos.
Sou feliz e não preciso me justificar.
Sorrio sem ver passarinho verde. 
Não tenho medo de ser feliz .
Faço minha estrela brilhar sem receio dos encontros, 
desencontros, encantos e desencantos que o amor me diz.
Contrariedades? Eu as tenho! E quem não as tem na vida secular?
Escassez de dinheiro? Nem é bom falar.
Amores não correspondidos? Separações? Rejeições? 
Saudades incuráveis?
Carinhos reprimidos, ternuras guardadas, 
sem a contra parte do outro?
Eu tenho aos montões. 
Sou o rei das perdas necessárias ao meu crescimento.
Contudo quem não soube a sombra não sabe a luz.
E num livro de matemática existencial 
juntei todos esses problemas
insolúveis, com as respostas nas últimas páginas.
Mas pra que me debruçar sobre eles, 
procurando a solução se a própria
vida me conduz a resposta final?
Sem medo de ser feliz, vou por aqui e por ali... 
Por onde os caminhos, as trilhas, 
os atalhos me levarem, traçando meu rumo. 
Às vezes com alguma tristeza.
Mas quem disse que felicidade é o contrário de tristeza?
Tristeza é só uma momentânea falta de alegria!
É, amiga, amanhã é sempre um novo dia, 
e quando a infelicidade passar
por aqui, minhas malas estarão prontas para eu ir por ali.


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